Câmbio pode se acalmar após pico de tensão no 1º turno

Por Davison Santana e Josue Leonel.

Não é de todo surpreendente que os operadores esperem que a volatilidade do câmbio aumente até o primeiro turno da eleição presidencial. O inusitado é que os mercados mostram que essas oscilações provavelmente irão diminuir justamente durante o segundo turno, quando os brasileiros efetivamente escolherão seu novo líder, e após a eleição.

O desenho da curva de volatilidade nesta eleição é diferente de 2014, quando o país mostrava, desde o início, uma clara divisão entre os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Desta vez, o número de candidatos com chances reais de chegar ao segundo turno é maior em meio à falta de credibilidade da política e, consequentemente, a quantidade de votos indecisos também é significativamente mais elevada, o que ajuda a sustentar a volatilidade do câmbio.

O candidato mais amigável ao mercado entre os favoritos, Geraldo Alckmin, tende a ter chances maiores de se eleger se conseguir alcançar o segundo turno devido ao amplo apoio de diferentes partidos do chamado centrão. Se o tucano tiver sucesso e superar o primeiro turno, a volatilidade tende a ser reduzida rapidamente.

“Eu compro a tese de que o mercado vai se acalmar. Temos três nomes competitivos: o Bolsonaro, o Alckmin e o Haddad. Todos estão falando em reforma da Previdência, em ajuste na economia e devem ter bons times”, disse o economista Roberto Padovani, do Banco Votorantim, em entrevista.

Os partidos têm até esta quarta-feira, 15 de agosto, para registrar formalmente seus candidatos. É uma tarefa repleta de drama nesta eleição porque o PT tentará assegurar a candidatura do ex-presidente Lula, que segue muito popular apesar de estar preso por corrupção.

Lula deve ser impedido de concorrer devido à lei da Ficha Limpa. Quanto mais cedo ocorrer a definição do Tribunal Superior Eleitoral, melhor será a reação do mercado em termos de redução da volatilidade. Se o Tribunal surpreender e permitir a candidatura, espere que a curva de volatilidade seja completamente reformulada.

NOTA: Davison Santana é um estrategista de câmbio que escreve para a Bloomberg. As observações que ele faz são dele e não pretendem ser vistas como conselhos de investimento. Algumas informações vêm de operadores de câmbio familiarizados com as transações que pediram para não serem identificados.

Entre em contato conosco e assine nosso serviço Bloomberg Professional.

Agende uma demo.