BIS pede que bancos centrais estudem moedas digitais

Por Jana Randow.

As moedas digitais são uma ferramenta revolucionária que os bancos centrais devem considerar, mas continuam sendo arriscadas demais para serem usadas como moeda legal a curto prazo, segundo o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês).

O BIS — o clube dos maiores bancos centrais do mundo — afirmou em relatório, na segunda-feira, que essa nova forma de dinheiro poderia um dia ser emitida por bancos centrais para tarefas como liquidações de pagamentos entre instituições financeiras. Ao mesmo tempo, advertiu que as moedas digitais poderiam desestabilizar bancos tradicionais se forem oferecidas amplamente ao público em geral.

“As moedas digitais de uso geral dos bancos centrais poderiam revolucionar a forma de fornecer dinheiro e o papel dos bancos centrais no sistema financeiro, mas este é um terreno inexplorado”, afirmou Benoît Coeuré, membro do conselho do Banco Central Europeu, que preside o comitê do BIS sobre pagamentos e infraestruturas de mercado.

O BIS, que tem sede na Basileia, Suíça, advertiu que é necessário realizar muito mais “experimentação e experiências” antes que o lançamento de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês) possa ser considerado.

Debate no G-20

No momento em que o bitcoin e seus pares ameaçam invadir o território dos bancos centrais, as autoridades nacionais pesquisam novas formas de pagamentos. O tema da regulação, inclusive, está na agenda dos ministros de finanças do Grupo dos 20, que se reunirão na semana que vem em Buenos Aires.

Mais de 1.200 anos depois da aparição das primeiras cédulas de papel, na China, o dinheiro vivo está caindo em desuso em vários países em meio ao crescimento das transações digitais. A ascensão das tecnologias de livro-razão distribuído e do conceito de dinheiro digital privado ponto a ponto desafia a razão de ser dos bancos centrais, que durante séculos dominaram a emissão de moedas e pagaram suas contas dessa forma.

As opiniões a respeito da emissão de CBDC são bastante divergentes. Enquanto o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e o do Banco da Inglaterra, Mark Carney, mostraram ceticismo, o Riksbank, da Suécia, país onde mais de um terço da população nunca usa dinheiro, estuda a introdução de uma e-krona (coroa eletrônica) como complemento de cédulas e moedas.

O BIS concluiu que o uso de moedas digitais por atacado e de suas tecnologias básicas tem o potencial de tornar a liquidação de transações de títulos e derivativos mais eficiente, embora as propostas até o momento pareçam bastante similares e sua superioridade em relação às existentes não esteja clara.

Da mesma forma, as moedas digitais poderiam servir como uma alternativa “robusta e conveniente” ao dinheiro, mas produtos de pagamento de varejo rápidos e eficientes já disponíveis — como o sistema TIPS, do Banco Central Europeu — provavelmente limitariam seus benefícios.

A emissão de CBDC provavelmente não alteraria os mecanismos básicos de implementação da política monetária, afirmou o BIS. No entanto, poderia desafiar o sistema bancário de dois níveis e piorar crises financeiras se os depositantes buscassem refúgios para seu dinheiro.

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