Esforço do México em defender peso deve falhar, diz Barclays

Por Nacha Cattan, com a colaboração de Ben Bain.

A tentativa sem precedentes do México de sustentar o peso nesta semana até agora foi um sucesso. Mas para o Barclays e o Morgan Stanley, o esforço vai acabar fracassando.

O peso mexicano lidera os ganhos entre as moedas de países emergentes desde que as autoridades locais inesperadamente elevaram juros e anunciaram cortes no orçamento e uma política de intervenção cambial em 17 de fevereiro. O avanço levou o retorno da dívida mexicana denominada em peso para 3,2 por cento em dólares até quinta-feira, comparado à média de 0,1 por cento para dívidas de países em desenvolvimento.

Apesar da recuperação da moeda da mínima histórica quando as medidas foram anunciadas, Marco Oviedo, do Barclays, afirma que a valorização terá vida curta, uma vez que juros maiores agravarão a lentidão da economia mexicana, abalada pela queda de preços do petróleo. Analistas do Morgan Stanley, liderados por Luis Arcentales, dizem que os movimentos recentes “não vão mudar a direção” do peso, que ainda é a uma das moedas principais com pior desempenho neste ano, com queda de 6 por cento até quinta-feira.

A elevação de juros “parece uma medida tomada às pressas”, disse Oviedo na Cidade do México. “O Banco de México está entrando em uma dinâmica muito complicada porque, se o peso continuar se desvalorizando, o mercado pode precificar mais elevações de juros. Não está claro se elevar os juros teria impacto positivo sobre a taxa de câmbio. Para a economia, está claro que não”.

Ricardo Medina, porta-voz do banco central, se recusou a comentar o impacto das medidas.

Em anúncio coordenado na quarta-feira, o presidente do banco central, Agustin Carstens, e o ministro das Finanças, Luis Videgaray, anunciaram a elevação da taxa de juros em 0,5 ponto percentual para 3,75 por cento, citando o risco de a depreciação cambial alimentar a inflação. O Banco de México também avisou que substituirá o programa diário de leilão de dólares por um plano de venda direta de dólares a bancos sempre que for necessário para sustentar a moeda local.

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