Mercado ignora vitória de Dilma e dólar entra em espiral

Notícia exclusiva por Josué Leonel.

O dólar mostra força incomum, principalmente para um dia que começou com uma notícia relativamente positiva para a presidente Dilma Rousseff, que conseguiu ontem impedir que o Congresso derrubasse a maioria dos seus vetos a medidas que poderiam inviabilizar o ajuste fiscal.
 

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O dólar chegou a abrir em baixa, mas rapidamente retomou a espiral de alta que vem registrando nas últimas semanas. O Banco Central interveio na hora do almoço com leilões de swap e de linha cambial, mas o máximo que conseguiu foi gerar um alívio de curta duração.

A autoridade monetária colocou menos de um quarto dos 20.000 swaps ofertados e anunciou outro leilão para amanhã. A pressão de alta no dólar e nos juros futuros voltou após conhecido o resultado do leilão de swap. Os leilões não afetam as reservas pois são vendas de dólar futuro, no caso dos swaps, e de dólar com recompra futura, no caso das linhas.

O dólar oscilou mais de 3% hoje até agora, entre mínima de R$ 4,0158 e máxima de R$ 4,1441, uma variação alta até mesmo para uma moeda que já vem há meses disputando com o rublo, moeda de um país em conflito com a vizinha Ucrânia, a condição de moeda mais volátil do mundo.

Nenhum BC, provavelmente com exceção do Chinês, tem poder para reverter uma tendência de depreciação para apreciação, diz Christian Lawrence, estrategista do banco holandês Rabobank. Bernd Berg, estrategista do francês Société Générale, que já previu dólar a R$ 5,00 se a crise política se agravar, considera que o BC atua apenas para suavizar a volatilidade, não para reverter a tendência.

”O Brasil enfrenta o risco de uma severa crise de confiança e cambial”, diz o estrategista do SocGen. A questão é que o investidor olha o quadro geral do País e não vê notícias positivas. Assim, vende a moeda brasileira ”a qualquer preço”, antecipando-se a um novo downgrade.

O otimismo com a vitória de Dilma no Congresso ontem durou pouco. O analista Ricardo Ribeiro, da MCM, diz que a manutenção dos vetos foi importante, mas não uma ”virada” de jogo. Ainda restam vetos importantes a serem avaliados, como o do reajuste do Judiciário, capaz de dificultar o ajuste fiscal se for derrubado. Outro problema é que a CPMF, principal peça do ajuste fiscal, segue enfrentando sérias resistências no Congresso. ”Ainda há muitas incertezas.”

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