A volatilidade do câmbio em 2021 e o que pode representar para os tesoureiros corporativos

Artigo escrito por Michael Briody e Alison Fletcher, da Bloomberg.

No início de 2020, publicamos um artigo que analisou se a baixa volatilidade nos mercados de câmbio estava tornando os tesoureiros corporativos complacentes. O post discutia a ideia de que, embora as estratégias de hedging pudessem parecer um mero custo, a atmosfera de baixa volatilidade do início do ano passado era muito preocupante e poderia mudar rapidamente. A história mostra que os mercados se movimentam em ciclos, e a volatilidade pode até permanecer baixa por algum tempo, mas definitivamente não continua assim para sempre.

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O artigo gerou muitas respostas e discussões, com alguns céticos afirmando que, com tanta liquidez e tecnologia nos mercados, a baixa tinha vindo para ficar. Embora ninguém pudesse ter previsto a COVID-19, mencionamos que há eventos extremamente raros – “cisnes negros” – que podem alterar cenários confortáveis rapidamente, independentemente do tempo pelo qual tais cenários tenham perdurado. Por exemplo, há profissionais seniores nos mercados que, até hoje, vivenciaram apenas um ambiente de queda forte nas taxas de juros.

2021 também representará riscos para os mercados de câmbio. Apesar do pico de volatilidade ter diminuído no final de 2020, ainda foi muito maior do que no final de 2019, como podemos ver a seguir, no gráfico da volatilidade implícita de três meses do EUR/USD.

Vários eventos globais terão impacto no câmbio em 2021, incluindo um novo presidente dos EUA, a implementação do acordo Brexit em andamento, a progressão da COVID-19 e questões comerciais e tarifárias. E a recente alteração na volatilidade cambial acrescenta mais uma variável à equação. Agora, o câmbio é uma “classe de ativos” renascida, e os especuladores posicionarão seus portfólios estrategicamente para gerar apostas de volatilidade de alavancagem ativa.

Os tesoureiros corporativos devem ter uma política de hedging que os proteja de possíveis movimentações adversas de câmbio já precificadas no mercado e, mais importante, também daquelas que ainda não estão precificadas. A economia mundial atual oferece muitos catalisadores que podem alterar rapidamente os mercados de moedas; os tesoureiros devem avaliar suas próprias visões sobre o mercado e sua tolerância a riscos.

Além disto, as tesourarias corporativas devem garantir que a sua “caixa de ferramentas” de câmbio esteja sempre em ordem. Também devem garantir o acesso a vários métodos de negociação pré-aprovados, caso a volatilidade observada em março de 2020 torne a aparecer. Além disto, precisam ser capazes de alterar o curso de ação rapidamente a fim de permanecerem protegidos contra riscos.

Questões abrangendo a negociação eletrônica, a operação com ativos onshore versus os NDFs ou a utilização de algoritmos para execução de ordens devem ser discutidas com antecedência. Desta forma, os tesoureiros estarão preparados para o que quer que o mercado lhes reserve em 2021.

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