Por Tim Loh e Frederic Tomesco com a colaboração de Jim Polson e Dan Murtaugh.

A eletricidade mundial necessária para criar criptomoedas neste ano poderia igualar todo o consumo de eletricidade da Argentina e dar impulso ao crescimento de produtores de energia renovável dos EUA à China.

A mineração de bitcoin e de outras criptomoedas poderia necessitar de 140 terawatts-hora de eletricidade em 2018, cerca de 0,6 por cento do total global, escreveram na quarta-feira em uma nota analistas do Morgan Stanley liderados por Nicholas Ashworth. É mais do que a demanda estimada de energia para os veículos elétricos em 2025.

“Se as criptomoedas continuarem se apreciando, estimamos que o consumo global de energia para mineração aumentará”, escreveu Ashworth na nota.

Embora o número seja muito pequeno para dar muito impulso às ações das concessionárias globais de energia elétrica, representa um grande elemento de crescimento para as empresas que investem em energia eólica e solar combinadas com armazenamento de eletricidade — uma lista que inclui a NextEra Energy, a Iberdrola e a Enel, segundo a nota. Outros possíveis beneficiários são as grandes petroleiras que estão investindo em energia renovável e os promotores de projetos de energia renovável financiados com a arrecadação de capital de ofertas iniciais de moedas (ICO, na sigla em inglês).

Investimentos

A Hydro-Quebec, a maior concessionária de energia elétrica do Canadá, está muito interessada em entrar nesse mercado. A empresa está em negociações “muito avançadas” com mais de 30 mineradoras de criptomoedas — muitas das quais operam atualmente na China — e estima que anunciará acordos em 2018, disse Marc Antoine Pouliot, um porta-voz, em entrevista telefônica na quarta-feira.

A Hydro-Quebec projeta que nos próximos quatro anos a mineração consumirá cerca de 5 terawatts-hora anuais de eletricidade — valor equivalente ao de aproximadamente 300.000 famílias do Quebec — do excedente gerado pelas hidrelétricas da região. “Se tivermos que investir na nossa rede de transmissão, esses investimentos serão pagos pelas mineradoras”, disse Pouliot.

A demanda de eletricidade para a mineração de bitcoin aumentou para cerca de 20,5 terawatts-hora por ano até o fim de 2017, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance. Isso equivale a mais da metade dos 38 terawatts-hora de eletricidade usados anualmente pela maior empresa de mineração tradicional do mundo, a BHP Billiton – ou a um décimo da eletricidade necessária para abastecer a África do Sul.

Incertezas

Na China, a mineração usa 15,4 terawatts-hora, o que é insignificante na enorme indústria de energia do país. Apesar de ser o lar da maior comunidade mundial de mineradoras de bitcoin, elas usaram apenas 0,2 por cento da produção anual de eletricidade do país, de acordo com o relatório.

A mineração provavelmente se concentrará em regiões onde a eletricidade é barata, entre elas a China e o Centro-Oeste e o Nordeste dos EUA. As mineradoras ganham recompensas denominadas em bitcoin para realizar os cálculos complexos necessários para confirmar transações na criptomoeda.

O relatório do Morgan Stanley, porém, mostrou certa cautela.

“Há muita incerteza, o que significa que o consumo de energia poderia tomar qualquer direção”, escreveu Ashworth. “Esta certamente não é uma ciência exata.”

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