Por Emily Chasan com a colaboração de Jeff Green.

A BlackRock está pressionando os conselhos de administração para que tenham mais diversidade.

A maior gestora de ativos do mundo afirmou que deu apoio a oito entre nove propostas de acionistas relacionadas à diversidade nos conselhos em assembleias anuais nos EUA e no Canadá durante o segundo trimestre deste ano, segundo relatório publicado no site da empresa nesta quinta-feira. A firma informou que em cinco dessas companhias também votou contra conselheiros no comitê de nomeação “por não abordarem as preocupações dos investidores” em relação ao assunto.

A decisão representa uma mudança para a firma, que havia apoiado apenas duas de 98 propostas em prol da diversidade em conselhos entre 2012 e 2016, segundo análise da Bloomberg de declarações públicas. Os grandes investidores mostraram mais disposição para reter votos com o objetivo de pressionar os diretores neste ano do que em qualquer outro ano desde 2011, segundo a ISS Corporate Solutions.

“Nós nos envolvemos na questão da diversidade de gênero por muitos anos, mas este foi o primeiro ano em que decidimos votar mais sistematicamente contra membros do comitê de nomeação de conselhos formados apenas por homens”, disse Ed Sweeney, porta-voz da BlackRock, por e-mail, na quinta-feira.

A BlackRock não identificou as empresas nas quais votou contra. Firmas como Tyson Foods, Dentsply Sirona, Continental Resources e Restaurant Brands International receberam propostas de acionistas sobre diversidade nos conselhos neste ano. O conselho da própria BlackRock conta com quatro mulheres.

Propostas de investidores

Os acionistas que apresentaram as propostas pediram que as empresas neste ano incluam mulheres e minorias qualificadas em seus grupos de candidatos aos conselhos e que informem sobre o progresso em relação à diversidade. O Fundo de Aposentadoria Comum do Estado de Nova York afirmou em março que retirou uma proposta similar na GoPro depois que a empresa concordou em alterar o estatuto do comitê do conselho para buscar um grupo de nomes mais diversificado para a diretoria.

Como parte de um impulso para melhorar a transparência em suas votações, a BlackRock afirmou no início do ano que conselhos diversos “tomam decisões melhores” e que planejava se concentrar no assunto em discussões com as empresas antes das reuniões anuais.

“Pensamos que o ideal é que os conselhos se comprometam a agregar pelo menos duas mulheres diretoras”, afirmou a BlackRock no relatório, na quinta-feira.

As mulheres perderam terreno em relação aos novos assentos de conselhos pela primeira vez em oito anos no ano passado, quando pouco menos de 28 por cento dos 431 postos abertos nos conselhos das empresas da Fortune 500 foram para mulheres, segundo a empresa de recrutamento de executivos Heidrick & Struggles.

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