O “Refinamento” passou a ser o principal tema para o buy-side em 2024. A padronização de dados significa economia de tempo, redução de gastos e resultados mais precisos. Mas como os gestores podem continuar refinando seu modelo operacional enquanto a IA ainda sai de sua fase inicial?
David Strevens, head de produtos do buy-side na EMEA e gestor de vendas e contas da Bloomberg, e Laila Mirsepassi, diretora global de estratĂ©gia de buy-side da Bloomberg, compartilham o que preveem para o prĂłximo ano: da pressĂŁo para geração de alfa atĂ© as expectativas dinĂąmicas em relação Ă frequĂȘncia e granularidade da divulgação de informaçÔes.
Ao olharmos para o futuro, quais sĂŁo alguns dos desafios que as empresas do buy-side podem enfrentar?
HĂĄ temas amplos em torno do aumento contĂnuo de ativos alternativos, da importĂąncia crescente dos fatores ESG e da mudança da gestĂŁo ativa para a passiva. Mas ao analisarmos essas tendĂȘncias sob a Ăłtica do que fazemos como provedores de tecnologia, hĂĄ quatro temas significativos a serem destacados.
O primeiro Ă© a crescente demanda por clareza e transparĂȘncia em torno dos dados, o que significa que as empresas estĂŁo em uma jornada para padronizar esses dados. O segundo Ă© uma pressĂŁo maior para gerar alfa â embora a equipe de pesquisa de um gestor seja sua fonte Ășnica, ele ainda depende de dados de alta qualidade e de processos de pesquisa bem administrados. Em terceiro, lugar os gerentes de ativos estĂŁo sujeitos a maiores exigĂȘncias de relatĂłrios, seja como resultado de obrigaçÔes regulatĂłrias ou do desejo do cliente final de obter informaçÔes mais granulares ou mais pontuais. E o quarto Ă© a pressĂŁo das margens, tornando a eficiĂȘncia de processos essencial para as empresas.
O que estĂĄ motivando uma maior demanda por clareza relativa a dados?
Os dados são uma commodity essencial para as empresas, o que torna imperativa a mudança para dados padronizados e de maior qualidade, incluindo dados de mercado, de negociação e de posiçÔes.
Parece simples, mas Ă© incrĂvel a frequĂȘncia com que uma empresa, ou atĂ© mesmo indivĂduos da mesma equipe, podem fazer malabarismos com vĂĄrios sistemas alimentados por diferentes conjuntos de dados. Inevitavelmente, os membros da equipe acabam com respostas diferentes para a mesma pergunta. O problema Ă© agravado quando o gerente de risco e o gerente de portfĂłlio usam conjuntos de dados e modelos diferentes â e, infelizmente, essas sĂŁo as ĂĄreas mais comuns em que existem silos.
Com fontes de dados padronizadas e atualizadas e formatos consistentes para divulgação de informaçÔes, os gestores podem obter facilmente uma visĂŁo precisa e holĂstica de seus portfĂłlios em todos os conjuntos de ferramentas. O objetivo da Bloomberg Ă© permitir que uma empresa assuma um conjunto de posiçÔes ou transaçÔes e as confronte com vĂĄrios fatores de risco de mercado, risco de investimento (modelos de fatores), risco de liquidez, risco de crĂ©dito e risco de contraparte.
Do ponto de vista operacional e de custos, essa mudança é fundamental, pois permite que empresas se reconciliem de forma precisa, eficiente e consistente entre plataformas e desativem provedores e sistemas legados ou redundantes.
Como os dados apoiam a busca por alfa?
Como gestor ativo, a pesquisa Ă© basicamente o ingrediente secreto do que vocĂȘ faz. Os dados sustentam cada etapa do fluxo de investimento; por isso, eles sĂŁo fundamentais para a busca por alfa. Cada ponto de tomada de decisĂŁo, desde a construção de pesquisas internas atĂ© o balanceamento de um portfĂłlio e a gestĂŁo de risco, depende de dados mestre de alta qualidade e consistentes. Ă imperativo que os dados mestre subjacentes, bem como as bibliotecas analĂticas que os compĂ”em, estejam acessĂveis por meio de APIs. A Bloomberg oferece vĂĄrias soluçÔes que podem ajudar os gestores em sua busca por alfa.
As SoluçÔes de GestĂŁo de Pesquisa (RMS) da Bloomberg sĂŁo projetadas para se integrarem perfeitamente Ă oferta do Buy-Side da Bloomberg em todas as classes de ativos. Embora nossas RMS possam ser usadas como um repositĂłrio autĂŽnomo de alta qualidade para pesquisas internas, a eficiĂȘncia de sua empresa aumenta exponencialmente quando essas pesquisas sĂŁo disponibilizadas em toda a sua empresa e combinadas com pesquisas externas e informaçÔes de segurança mais amplas.
Em segundo lugar, hĂĄ o BQuant da Bloomberg, que oferece um ambiente do tipo sandbox para dar Ă s empresas acesso a dados vastos e bibliotecas analĂticas que as ajudam a obter os resultados para tomar decisĂ”es inteligentes, sejam elas investidoras bottom-up ou top-down.
Por exemplo, vocĂȘ pode ter uma visĂŁo Ășnica dos fundamentos da empresa e precisa documentar e compartilhar esse conteĂșdo. O BQuant tem soluçÔes para ajudar a facilitar esse fluxo de trabalho de pesquisa, para que vocĂȘ possa compartilhar e selecionar o conteĂșdo em toda a sua organização â combinando conteĂșdo interno e externo. Isto permite a consistĂȘncia em toda a organização e elimina redundĂąncias de gestores ou analistas, que ocorrem quando as pessoas trabalham em 30 planilhas diferentes.
Outra ferramenta é o PORT Optimizer, que faz parte do sistema de anålise de portfólio e risco da Bloomberg. A ferramenta apoia a otimização multiobjetivos, ajudando os gestores do buy-side a alcançar vårios objetivos de investimento de maneira simultùnea e se conecta diretamente aos fluxos de trabalho para se integrar a outros sistemas e processos.
Por fim, com todas as incertezas recentes, hĂĄ uma ĂȘnfase renovada na necessidade de quantificar e entender com precisĂŁo o risco dos portfĂłlios. Os novos Modelos de Risco MAC3 da Bloomberg incluem tĂ©cnicas avançadas para produzir previsĂ”es precisas que sejam Ășteis tanto para a gestĂŁo de risco quanto para a construção de um portfĂłlio â incluindo a otimização.
Não são apenas as empresas que buscam um acesso mais aberto aos dados; os investidores agora também exigem mais dados. O que estå impulsionando esta demanda e o que as empresas do buy-side estão fazendo a respeito?
Em nosso mundo sedento por dados, os gestores experimentam um aumento no escrutĂnio por parte dos investidores institucionais, que esperam uma maior frequĂȘncia â e detalhes â na divulgação de informaçÔes.
TambĂ©m devemos levar em conta a pressĂŁo exercida pela regulamentação, por exemplo, com a revisĂŁo do EMIR planejada para este ano. A Europa tem sido lĂder em mudanças regulatĂłrias, e continua a evoluir, especialmente em ĂĄreas como ESG. Ă aĂ que as empresas querem maiores perspectivas.
Neste ambiente, uma maior transparĂȘncia e granularidade na divulgação de informaçÔes aos investidores e reguladores se entrelaçam.
A inteligĂȘncia artificial, especialmente a IA generativa, tem recebido muita atenção e tem havido muito interesse em como ela pode afetar os setores, incluindo a gestĂŁo de ativos. O que as empresas estĂŁo fazendo para se preparar, se Ă© que estĂŁo fazendo algo?
A IA tem sido um tĂłpico de interesse para as empresas de investimento e uma das ĂĄreas nas quais somos mais questionados por diretores de investimento. O desejo de participar desta tecnologia transformacional Ă© nĂtido, embora haja uma variação em termos dos passos que os gestores de investimento estĂŁo tomando para se prepararem. Isto inclui a avaliação de casos de uso comerciais para a implementação de IA para simplificar os processos existentes e considerar quais protocolos de governança sĂŁo necessĂĄrios para fornecer uma supervisĂŁo apropriada para suas organizaçÔes.
AlĂ©m disso, os investidores querem que seus parceiros de tecnologia os ajudem a aproveitar a IA por meio de melhorias no fluxo de trabalho nativo. Por exemplo, no inĂcio do ano, a Bloomberg lançou uma ferramenta que cria resumos gerados por IA das transcriçÔes de resultados. Sempre fomos lĂderes em ajudar empresas a gerar uma perspectiva ao reunir diferentes fontes de dados â transcriçÔes de resultados, pesquisas de broker e notĂcias. Mas esta ferramenta de IA significa que os nossos usuĂĄrios nĂŁo precisam analisar transcriçÔes longas e podem explorar rapidamente o conteĂșdo especĂfico de que precisam.
HĂĄ uma ĂȘnfase significativa na importĂąncia dos dados, mas isso ocorre em um momento em que as empresas estĂŁo sob pressĂŁo de custos. Como as empresas equilibram estas demandas concorrentes?
As gestoras de ativos estĂŁo sob pressĂŁo em relação Ă s suas margens, pois o setor tem se tornado cada vez mais competitivo. Dois terços dos fluxos de ativos estĂŁo agora em produtos passivos, o que Ă© uma enorme mudança para o lucro em geral. AlĂ©m disso, as empresas querem garantir que seus relatĂłrios sejam precisos, e isso tem um custo â assim como a maior ĂȘnfase na centralização dos dados.
Continuamos a ver muitos gestores de ativos se concentrando em voltar Ă essĂȘncia da gestĂŁo financeira pura, com funçÔes nĂŁo essenciais sendo terceirizadas ou substituĂdas por tecnologia, especialmente automação.
A Bloomberg ajuda cada vez mais as empresas a simplificar os processos de middle office, oferecendo capacidades de processamento e supervisĂŁo em tempo real para fluxos de trabalho essenciais, sustentadas pela conectividade a provedores de soluçÔes de custĂłdia, administrativas e contĂĄbeis. Ao fazer isso, os gestores de investimentos nĂŁo estĂŁo apenas impulsionando a eficiĂȘncia e a escala, mas tambĂ©m reduzindo o risco e diminuindo os custos operacionais associados ao processamento manual e ao erro humano.
A automação de atividades pĂłs-negociação pode ajudar a reduzir os custos operacionais e as ineficiĂȘncias associadas ao processamento manual e ao erro humano.
Por exemplo, o apoio da Bloomberg Ă Liquidação T+1 Ă© impulsionado por nosso pacote de operaçÔes pĂłs-negociação, que inclui a Plataforma Central de CorrespondĂȘncia de NegociaçÔes (CTM) para correspondĂȘncia, o SWIFT para liquidação e o Fluxo de GestĂŁo de NegociaçÔes para automação. Os indicadores-chave de desempenho (KPIs) para clientes existentes que utilizam o pacote de operaçÔes ilustram que 97% de todas as negociaçÔes que passam pelo nosso sistema sĂŁo correspondidas em T+0 e 70% de todas as negociaçÔes sĂŁo enviadas para a liquidação em T+0.
Ao fazer isso bem feito, as empresas podem ter um impacto maior em seus custos operacionais e melhorar as margens.
A função PM <GO>, nossa nova Ărea de Trabalho para Gestores de PortfĂłlio, oferece uma experiĂȘncia inteligente e interativa de suporte Ă s decisĂ”es, combinando dados lĂderes do setor, capacidades de montagem de portfĂłlios, anĂĄlises de risco, insights de liquidez, supervisĂŁo de ordens abertas e fluxos de trabalho de compliance integrados para apoiar o processo de tomada de decisĂŁo de investimento. Isto ajuda nossos clientes a melhorar seus fluxos de trabalho, permitindo que tomem decisĂ”es inteligentes de investimento com mais rapidez, minimizem o tempo gasto em processos manuais e reduzam os possĂveis riscos operacionais.
A eficiĂȘncia Ă© fundamental, jĂĄ que as empresas do buy-side enfrentam uma pressĂŁo cada vez maior para padronizar os dados, gerar alfa, atender Ă s demandas crescentes de divulgação de informaçÔes e Ă pressĂŁo das margens. Ao refinar os processos e os modelos operacionais, as empresas do buy-side podem reduzir os custos ao mesmo tempo em que fornecem resultados precisos e se mantĂȘm Ă frente da concorrĂȘncia.