Câmbio e inflação: perspectiva macro

Artigo escrito por Michael Briody, Especialista em fluxo de trabalho da Bloomberg.

A moeda americana tem sido negociada em baixa este ano, como pode ser visto no gráfico abaixo, que mostra o índice USD. Muitos participantes do mercado, tesoureiros, traders e investidores estão procurando sinais para ajudá-los no timing de investimentos ou atividades de hedging. Mas será que uma recuperação realmente está próxima?

Correr atrás do prejuízo é um jogo perigoso, pois o dólar americano em declínio, muitas vezes, parece prestes a mudar de direção; de repente, mais dados dão impulso à queda. A recuperação eventualmente virá; com dados corretos em mãos e as soluções da Bloomberg, exemplificadas abaixo, os usuários podem tomar decisões mais assertivas.

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Avance com cautela: pressões inflacionárias, taxas e preços de commodities pesam sobre o dólar

Dados do IPC, divulgados em maio, mostram que o aumento de preços em abril foi o maior desde 2009, superando as projeções e intensificando o debate sobre quanto durarão as pressões inflacionárias, colocando ainda mais pressão sobre o dólar. Ao analisar dados simples, como o “Índice Big Mac”, visto no gráfico abaixo, muitas moedas ainda parecem estar extremamente desvalorizadas em relação ao dólar americano.

Como a economia dos EUA ainda está no início de sua fase de recuperação após a COVID-19, os preços mais altos das commodities também impactam o poder de compra em todos os níveis. Tudo parece estar mais caro à medida que o efeito cascata das pressões da cadeia de suprimentos é repassado ao consumidor final. Ao mesmo tempo, as restrições de viagens continuam a impactar o turismo, em um momento no qual um dólar mais fraco normalmente estimularia viagens de estrangeiros para os EUA.

Surpresa da inflação leva traders a avaliar se as pressões são transitórias ou não

Esperava-se que o IPC de abril indicasse variação anual de 3,6% devido aos efeitos de base do ano passado. No entanto, o mercado foi surpreendido no dia 11 de maio com alta de 0,82% em relação ao mês anterior (consenso 0,2%) e o quinto aumento mensal consecutivo acima da média de 5 anos, conforme gráfico de sazonalidade abaixo.

Um aumento recorde no preço dos carros usados contribuiu para o grande aumento no IPC, com a escassez de semicondutores forçando alguns potenciais compradores de carros novos a buscar o mercado de carros usados. A inflação anualizada está agora em 4,2% na variação YoY. Os títulos do Tesouro dos EUA continuam com tendência de alta no rendimento, à medida que os traders tentam determinar se as pressões inflacionárias vieram para ficar ou não.

Títulos indexados à inflação continuam com desempenho melhor que o esperado

Os títulos indexados à inflação continuam a superar o valor nominal de títulos no momento do sell-off. Os spreads de breakeven de cinco anos de 2,70% estão de volta aos níveis do início de 2008, conforme pode ser visto no gráfico abaixo.

Expectativas mais amplas de inflação estão sendo impulsionadas por uma combinação de gastos públicos com déficit, o compromisso do Fed com taxas zero e um extenso programa de quantitative easing (QE). A compra de TIPS (Treasury Inflation-Protected Securities) pelo Fed, ativos que normalmente têm menor liquidez, pode estar contribuindo para spreads de breakeven mais amplos.

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