Classe média da Índia alimenta boom imobiliário de US$ 1,3 tri

Por Jacqueline Thorpe e Pooja Thakur.

Quando era pequeno e o pai estava montando uma empresa de táxis, Pradeep Yadav morava em um “chawl”, um prédio de apartamentos precário na capital financeira da Índia, Mumbai. O apartamento tinha uma lâmpada, um ventilador e água apenas duas horas por dia.

Agora Yadav está na vanguarda de um possível boom habitacional que, segundo estimativas da corretora CLSA India, poderia atingir US$ 1,3 trilhão nos próximos sete anos. Como os três filhos já se formaram, a família comprou um apartamento em Palava City, um município perto da metrópole.

Os Yadav integram uma classe média em crescimento na Índia que está exigindo melhores moradias e tem cada vez mais meios para consegui-la. Ainda não se sabe se o país, com suas vastas favelas em um extremo do espectro de moradia e sua obsessão pelo luxo no outro, pode preencher a lacuna, mas analistas como a CLSA afirmam que existem condições para uma ampla aceleração na construção de residências na economia de US$ 2 trilhões.

Argumentos

Os argumentos demográficos para o crescimento das vendas de residências na Índia vêm se acumulando há tempos. Cerca de 69 por cento do 1,3 bilhão de habitantes do país estão na melhor idade para comprar — 20 a 40 anos –, mais do que em nenhum outro país, segundo um relatório da Bloomberg Intelligence em abril. A renda per capita aumentou a um taxa composta de crescimento anual de 10 por cento nos últimos cinco anos, segundo a nota publicada pela CLSA em maio.

Mas apareceram dois catalisadores que colocaram a construção em um “ponto de inflexão”, escreveram Mahesh Nandurkar, um analista da CLSA em Mumbai, e seus colegas. Neste ano, o primeiro-ministro Narendra Modi ampliou as reformas para fomentar a construção e a compra de casas no âmbito do programa “Moradia para todos”, lançado em junho de 2015. O programa visa construir 20 milhões de residências urbanas e 30 milhões de residências rurais até 2022. Além disso, os imóveis também ficaram mais acessíveis em duas décadas.

Projeções

Os obstáculos para a construção continuam sendo imensos. Ainda há “uma grande dúvida” sobre se o plano habitacional do governo é “realista e passível de ser implementado”, escreveu Anuj Puri, presidente de serviços imobiliários da JLL Residential, em uma nota publicada em 5 de junho.

A CLSA prevê que 60 milhões de novas residências serão construídas na Índia entre 2018 e 2024, com um crescimento de quase 70 por cento em moradia social e accessível, para 10,5 milhões, em 2024, superando o aumento de 33 por cento no mercado premium.

Os Yadav estão sentindo que estão ficando sem espaço no atual apartamento, disse Pradeep. Se e quando casar, ele provavelmente se mudará. “Eu não vou sair de Palava, isso é certeza.”

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