Como dados podem revolucionar o sell side

Especialistas do Bradesco e BTG Pactual comentam como suas instituições estão usando dados para orientar estratégias de negócios.

Na era digital, o volume de dados cresce exponencialmente e aumenta a complexidade da coleta e estruturação desse ativo, considerado valioso para a tomada de decisão e transformação dos negócios. Lidar com esse fenômeno manualmente é algo praticamente impossível, uma vez que as informações chegam a cada segundo de forma massiva e em diferentes formatos. É para enfrentar esse desafio que o mercado financeiro está promovendo uma revolução com adoção de sistemas de machine learning, inteligência artificial (AI) e outras soluções para analisar e gerenciar dados.

Transformação digital e o cenário econômico em um contexto de alta volatilidade Acesse insights para o sell side

Essa é uma estratégia que está se expandindo também para as operações de trading e departamentos analíticos, conforme constatou o webinar promovido pela Bloomberg com o tema “Revolução na tecnologia de dados do sell side”.

A Bloomberg convidou especialistas de duas instituições financeiras para darem suas visões sobre o assunto e compartilhar experiências a respeito do uso de dados no dia a dia. Um deles foi Jerckns Cruz, head de Quantitative Trading do BTG Pactual, que atua há 15 anos no banco – os últimos doze em contato próximo ao trading. Atualmente, ele desenvolve pesquisa e estratégias para novas ideias com base no uso de dados.

“Aqui eu tenho o desafio de normalizar os dados que vêm de diferentes vendors”, explicou o executivo. Em seu relato, ressaltou o uso de determinadas tecnologias e ferramentas em nuvem para ganhos de agilidade, e processamento de dados estáticos e simulações em tempo real para apoiar os traders nos negócios.

O outro painelista foi Igor Valentim, Chief Data Officer do Bradesco, que também tem 15 anos de experiência na indústria financeira – 10 deles trabalhando com dados. Como líder da unidade de dados dentro do banco de varejo, Valentim tem como missão demonstrar o valor de informações precisas para alavancar receita e conquistar clientes.

Ao comentar sobre suas experiências, o executivo considerou que dados são hoje uma espécie de novo petróleo, que precisa de um bom processo de extração e refinamento para que se torne um insumo precioso para os negócios.

Cruz e Valentim contaram como as diferentes atividades de um banco podem se beneficiar da análise de dados estáticos e em tempo real, abordaram os desafios que suas instituições enfrentam para realizar essa operação, tecnologias que apoiam esse processo e de que forma traders e analistas podem trabalhar de maneira harmoniosa com sistemas automatizados.

Leia abaixo os principais trechos do webinar. Caso queria conferir a gravação na íntegra, o conteúdo está disponível aqui.

Negócio orientado por dados

O Bradesco e o BTG Pactual entendem a importância dos dados para os negócios. Ambos estão investindo em projetos para analisar informações em tempo real e dar respostas rápidas ao mercado.

“A gente trata diferentes dados: de mercado, moeda, ações, futuro de commodities, macroeconômicos e dados das empresas que aparecem nos balanços”, relatou Cruz. Ele destacou um projeto ainda embrionário no BTG Pactual que analisa dados tradicionais, mas ressaltou que o banco já começou a estudar dados alternativos.

Um exemplo disso é avaliação de notícias durante a pandemia, como surgimento de vacinas e outros temas que causam impacto no mercado financeiro. “Temos a expectativa de expandir nos próximos anos”, pontuou.

No Bradesco, esse movimento também vem ganhando novos contornos. “O uso de dados dentro da nossa organização já tem total buy-in do nosso grupo executivo”, comentou Valentim. O Bradesco tem investido cada vez mais na capacitação de profissionais e iniciativas de projetos orientados a dados.

Ele citou uma iniciativa do banco com dados para reagir mais rapidamente às necessidades dos clientes. O executivo lembrou que até pouco tempo a instituição financeira recebia a informação, maturava e levava meses para responder ao mercado. Esse modelo, de acordo com Valentim, não funciona mais, considerando a velocidade que as informações chegam e a complexidade para análises.

“Hoje tem informações rodando pelo mundo de uma forma tão expressiva que a gente precisa também reagir de maneira eficiente”, ponderou o CDO do Bradesco. A pergunta que todos estão fazendo, segundo ele, é que valor é possível extrair da avalanche de dados para uso nos processos decisórios.

Ouça as explicações de Valentim sobre projetos de dados no Bradesco:

Revolução tecnológica no trading

Tecnologias como machine learning e AI são bases de sustentação para os projetos de gestão de dados no sell side. O grande questionamento do mercado é como será a interação no dia a dia entre esses sistemas e os seres humanos. Os profissionais vão perder espaço para as máquinas?

Na visão de Cruz, o ser humano bem capacitado estará sempre por traz do algoritmo. “Quando a gente fala em AI, há receio de que seremos igual o “Exterminador do Futuro” e os traders vão deixar de existir”, disse o executivo. Ele acredita que é perfeitamente possível o trabalho conjunto entre traders e máquina.

O especialista do BTG Pactual observou que machine learning é uma realidade para o segmento de investimentos. Só que acha que essa tecnologia tem que ser aplicada com um pouco de cuidado.

“O financing machine learning não é a mesma coisa que você pegar algoritmo genérico de machine learning, juntando com dados financeiros simplesmente de uma maneira ingênua”, chamou atenção o executivo. E completou: “a gente precisa entender as diferenças”.

Outro ponto levantado por Cruz foi a necessidade de sintonia entre os times. Ele observou que o expert em machine learning tem pouca experiência em finanças. Já o especialista em finanças não tem tanto domínio da tecnologia de algoritmo. “A gente precisa juntar esses dois profissionais para encontrar um modelo que seja robusto e que funcione com dados em tempo real”, sugeriu o executivo.

Escute o que Cruz fala sobre o uso das novas tecnologias e sobre a interação entre traders e máquina:

Desafios para aprimorar a gestão de dados

A gestão eficiente de dados exige tecnologias adequadas, profissionais capacitados, investimentos, uma estratégia bem alinhada e apoio do alto escalão.

“Eu diria que o patrocínio executivo é o maior desafio. Por sorte, a gente superou essa barreira aqui dentro. Mas é uma barreira relevante, porque quando você fala de dados, há um vasto número de tecnologias espalhadas dentro nosso mundo”, afirmou Valetim.

E muitas vezes, segundo ele, as pessoas vão para um processo orientado à tecnologia. Entretanto, ainda na sua visão, é o suporte executivo que dará tranquilidade para passar pelo ciclo de amadurecimento dos projetos, ter uma perspectiva tecnológica, investimentos e pessoas. Trata-se de responder perguntas que o negócio precisa e conseguir mostrar ao board a importância do projeto a fim de trazer valor para a instituição financeira.

Ouça as explicações de Valentim sobre desafios a serem vencidos na implementação de um projeto de gestão de dados:

Durante o webinar, os especialistas comentaram ainda sobre a concorrência com as fintechs.

Na visão deles, esses bancos chegaram para ajudar as instituições tradicionais a perceber a importância dos dados para melhorar a experiência dos clientes e ajudá-los a realizar seus sonhos. A conclusão final dos especialistas de dados do Bradesco e do BTG Pactual é de que os novos competidores aceleram a revolução tecnológica e estão ajudando o mercado financeiro a se reinventar.

A Bloomberg apoia o setor financeiro nessa jornada com soluções de gestão de dados para decisões com maior assertividade, além de outras ferramentas para acelerar a transformação digital do trading. Para saber mais, clique aqui.

Agende uma demo.