Por Vinícius Andrade, Josue Leonel e Ana Carolina Siedschlag.

Resultado do PIB do segundo trimestre, que o IBGE divulga na sexta-feira, deve mostrar variação perto de zero, indicando perda de fôlego após o país interromper no primeiro trimestre a série recessiva de indicadores dos dois últimos anos. A boa notícia é que a “qualidade” do indicador deve melhorar. Com a inflação em baixa, o consumo ganha força e compensa o investimento, que demora a reagir, e também o impulso menor da agricultura, que havia sido a estrela da economia no primeiro trimestre.

Resultado do PIB deve mostrar consumo privado em terreno positivo pela primeira vez em nove trimestres, diz Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs. Avaliação semelhante tem Rodrigo Melo, economista-chefe da Icatu, sobre a importância da retomada do consumo. “O consumo, nesse primeiro momento, será a maior força. Mais para frente, talvez seja o investimento”.

A avaliação do mercado faz coro com comentário feito pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em entrevista à Folha, de que a retomada da economia ocorre com o consumo favorecido pela queda da inflação, e não via investimentos, ao contrário do que se pensava. Para Alberto Ramos, do Goldman, a demora no aumento do investimento deve-se à incerteza política.

O IBGE divulga o PIB do segundo trimestre em 1º de setembro, quando o presidente Temer deverá estar viajando para a China em um momento em que o Congresso vive a expectativa de chegada da segunda denúncia do procurador Rodrigo Janot contra o presidente. Estimativa mediana em pesquisa Bloomberg aponta crescimento perto de zero, de 0,1%, entre o primeiro e o segundo trimestres, abaixo do crescimento de 1% do trimestre anterior. No comparativo anual, o PIB deve ficar estável.

Os resultado das vendas no varejo já mostram efeito do consumo maior, diz Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos. “A desalavancagem das famílias está mais avançada que a das empresas, que ainda estão endividadas em ambiente de ociosidade prolongada”. Consumo privado foi alavancado por queda mais rápida do que a esperada da inflação, estabilização do mercado de trabalho, dinâmica de crédito ao consumidor já começando a subir na margem e liberação de saque de contas inativas do FGTS, diz Ramos, do Goldman.

Apesar das incertezas com as reformas persistiram, se o PIB vier estável como o mercado espera, deve ser uma confirmação de que o susto político de maio, com a delação da JBS, não teve tanto impacto na economia, diz Italo Lombardi, estrategista de mercados emergentes do Crédit Agricole.

“Começamos a ter alguma melhora de crédito, de mercado de trabalho, isso vai ajudando a dar sustentação”, diz Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg e Associados.

A tendência é que o PIB consolide a visão de uma recuperação gradual e que está ficando mais disseminada, diz Mauricio Oreng, estrategista do banco Rabobank no Brasil. “A roda está começando a girar em direção favorável, mas, para economia ganhar tração, ainda vai demorar um tempo”.

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