Por Felipe Saturnino e Patricia Lara.

Há razões para o Banco Central não cortar os juros, mas a tendência é que a sinalização de uma última redução da Selic seja respeitada pelo Copom nesta quarta-feira, levando a taxa a uma nova mínima, a 6,25%. Essa é a opinião da maior parte dos analistas ouvidos pela Bloomberg nos últimos dias, em meio à disparada do dólar, nova oferta de swap e grandes oscilações na precificação extraída da curva de juros. Entre eles, também há a expectativa de que o Copom adotará linguagem prudente, acenando que o alívio acabou em função do atual quadro.

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16 de maio

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A trajetória benigna da inflação e os sinais de atividade mais fraca que o esperado são os motivos que ainda devem levar o BC a manter plano de voo desenhado em março e reduzir os juros em 0,25pp. O fortalecimento global do dólar, por outro lado, que levou o BC a ampliar o poder de fogo da atuação com swaps cambiais na sexta-feira, faz com que alguns economistas classifiquem eventual manutenção da taxa básica como justificável.

O mercado de juros futuros reduziu a precificação de corte da Selic de 18,35 pontos na sexta-feira para 15,28 pontos nesta manhã, com alguns analistas questionando se o BC atuar com swaps no câmbio e cortar a Selic ao mesmo tempo não seria contraditório. Em pesquisa Bloomberg com 38 economistas, apenas um vê Selic estável em 6,50%.

Alberto Ramos, economista sênior do Goldman Sachs, não vê contradição entre corte da Selic e atuação com swaps se o objetivo do BC for apenas suavizar a volatilidade. Para ele, pressões recentes exercidas sobre o câmbio em um momento de alta global do dólar e o humor instável dos mercados financeiros provavelmente levarão o Copom a endurecer a linguagem, indicando que o ciclo de alívio chegou ao fim. A inflação e a atividade, no entanto, ainda subsidiam um corte neste mês, escreveu ele em relatório.

“Expectativas de inflação e também crescimento econômico decepcionante no Brasil sustentam mais um corte na taxa de juros, apesar do dólar e dos riscos externos”, disse Cassiana Fernandez, economista-chefe para Brasil do JPMorgan. Após maio, ela crê que o BC deve adotar linguagem mais cautelosa, e seria “prudente” se ele sinalizasse que não haverá possibilidade de redução monetária adicional no mês de junho, diz ela.

O Bradesco também mantém as apostas em corte de 0,25pp na quarta e uma pausa no alívio em junho, estimando que as chances de a inflação não convergir à meta diminuíram com o recente desempenho do câmbio. Mesmo com riscos maiores, inflação e atividade também subscrevem moderação adicional, diz o banco em relatório.

Ilan reitera plano de voo

Fala do presidente do BC, Ilan Goldfajn, mantendo o sinal de redução, em entrevista à GloboNews, na última terça, ajudou a restaurar a confiança na redução derradeira dos juros no encontro desta semana. Ilan disse que a alta do dólar é um processo global, não exclusivo do Brasil, e reiterou que o foco do regime de metas é a inflação.

“Para o BC, existe uma separação entre a política monetária e cambial, sendo que a cambial está mais voltada para reduzir a volatilidade e deixar que o mercado funcione”, disse Mauricio Oreng, estrategista-sênior do Rabobank no Brasil. Para ele, o BC deve manter sua previsão e cortar os juros, já que Ilan ressaltou atenção à inflação apontando que choques cambiais preocupam apenas na medida em que afetarem a trajetória inflacionária.

Segundo Gustavo Rangel, economista-chefe do ING para América Latina, a recente depreciação do real também não dissuadirá o BC de sua ideia de corte de 0,25pp, mas o patamar do dólar deverá, sim, ser o fator principal para a instituição comunicar o fim do ciclo de alívio monetário, mudando o guidance de maneira “firme”. “Para o Copom, o que importa é a inflação, e a relação do câmbio é mais indireta”, diz ele.

Tatiana Pinheiro, economista-sênior do Santander, espera corte de 0,25pp nesta semana, mas prevê que BC deve ressaltar a questão da mudança de avaliação com relação ao cenário internacional para menos favorável, aumentando o risco para atividade e para a inflação.

Comunicado pode afetar curva de juros

Para Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, o mais prudente seria o BC não reduzir a taxa em meio a novos contextos externo e interno. “Mas também não considero que 0,25pp de corte seja um erro, e um comunicado hawkish pode ter um efeito na curva longa”, disse Srour.

Caso confirmada, a redução será a 13ª seguida na Selic, consolidando 800pbs de distensão desde outubro de 2016, quando os juros se encontravam no patamar de 14,25%.

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