Por Vanessa Dezem.

A adição de capacidade de geração eólica está desacelerando no Brasil, já que a pior recessão da história do país derruba o consumo de eletricidade.

As instalações de novos parques aumentaram 23 por cento no ano passado, metade do ritmo de 2015, e o crescimento vai desacelerar para 2 por cento em 2020, depois que decisões tomadas no ano passado começarem a surtir efeito, de acordo com dados divulgados na quinta-feira pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

A redução da demanda de eletricidade levou o governo a cancelar o único leilão do ano passado que incluiria novos parques eólicos e solares. Também está sendo planejado um leilão reverso, para empresas que deveriam finalizar seus parques de energia renovável neste ano e buscam cancelar seus contratos. Isso significa que menos projetos novos entrarão em atividade nos próximos anos, o que gera incerteza entre investidores e representa uma ameaça para os fornecedores.

“Tivemos nosso segundo melhor ano em termos de investimentos em 2016”, disse Elbia Gannoum, presidente da ABEEólica. “Mas agora os fabricantes estão pensando em abandonar o Brasil, porque as empresas precisam de uma previsibilidade que o Brasil não oferece atualmente.”

Empresas desenvolvedoras de parques eólicos adicionaram 2 gigawatts de capacidade no ano passado, menos que em 2015, quando as instalações subiram 46 por cento, ou 2,75 gigawatts, de acordo com a ABEEólica. O crescimento se manterá estável, com um avanço de 23 por cento neste ano e de 22 por cento em 2018. A partir daí a estagnação será quase total, com queda para 5 por cento em 2019 e para 2 por cento no ano seguinte.

Fornecedores de turbinas eólicas no Brasil, como Weg e General Electric, enfrentam a perspectiva de ficar sem pedidos para suas fábricas no país dentro de dois anos, depois que a safra atual de encomendas terminar. Sua oferta de produtos em preparação está se esgotando por causa da decisão do governo de cancelar leilões para novas fornecedoras de energia renovável no ano passado. O consumo de energia no Brasil caiu 0,9 por cento em 2016, sendo que o uso industrial diminuiu 2,9 por cento, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A última vez em que desenvolvedores eólicos e solares assinaram contratos de longo prazo para a venda de energia foi em novembro de 2015. O governo pretende realizar dois leilões de energia neste ano, de acordo com Gannoum. Um leilão programado para setembro incluirá distintas fontes de energia, inclusive renováveis, e distintos prazos de entrega, que possivelmente variem de um a sete anos.

Mais de 6,6 gigawatts de capacidade serão adicionados nos próximos três anos, todos de contratos concedidos em leilões anteriores. Para preservar o fluxo de investimentos no setor eólico, o Brasil precisará oferecer contratos de compra de longo prazo para pelo menos 2 gigawatts de projetos novos por ano, de acordo com Gannoum.

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