Fundos globais podem voltar a amar Índia após novo imposto

Por Kartik Goyal e Rajhkumar K Shaaw.

Administradores de recursos, como Ashmore Group e Prudential International Investments Advisers, têm um novo argumento para um velho negócio favorito. O primeiro-ministro Narendra Modi está prestes a aprovar uma das maiores reformas econômicas da Índia.

Os legisladores votarão uma emenda constitucional para promulgar o imposto de bens e serviços (GST, na sigla em inglês) que criaria um dos maiores mercados únicos do mundo. Projeta-se que o imposto, que está sendo elaborado há uma década, beneficiará setores como cimento, automóveis e logística ao facilitar a movimentação de produtos por fronteiras estaduais. O ministro das Finanças, Arun Jaitley, disse que o imposto acrescentará até 2 pontos porcentuais ao crescimento econômico.

A aprovação da lei tornará os ativos indianos mais atraentes para os fundos globais, que compraram um total de US$ 2,7 bilhões em ações e títulos no mês passado, segundo a Ashmore e a Aquarius Investment Advisors. Também fortalecerá a reputação do governo de Modi pela capacidade de aprovar leis complicadas em um país criticado pelo ritmo lento das reformas.

“Vamos aumentar a exposição” se o GST for aprovado, disse Jan Dehn, chefe de pesquisa em Londres da Ashmore, que administra cerca de US$ 51 bilhões em mercados emergentes. “Estávamos esperando por isso e, se o imposto não for aprovado, teremos que revisar nossa visão positiva da Índia em uma direção negativa”.

Avaliações altas

Na semana passada, o índice de referência S&P BSE Sensex alcançou a sequência mais prolongada de ganhos mensais desde 2014, e os papéis soberanos registraram a maior alta desde 2013.

Setores onde os impostos indiretos são altos, como eletrodomésticos, automóveis, bens de consumo básicos e materiais de construção, provavelmente se beneficiarão com o imposto, disse John Praveen, diretor administrativo da Prudential International. Roupas, varejo e têxteis podem ser prejudicados, disse ele.

Apesar do otimismo em relação ao novo imposto, as ações indianas recuaram pelo quarto dia consecutivo porque avaliações caras limitaram ganhos adicionais. O Sensex perdeu 1 por cento, a maior queda desde 24 de junho.

O índice S&P BSE MidCap atingiu um recorde na segunda-feira. O rali aumentou o múltiplo preço/lucro do indicador para 32, patamar observado em janeiro de 2008, ano em que as ações indianas sofreram o maior prejuízo anual da história.

Importância

“Não ficaremos mais otimistas nem sequer se o GST for aprovado porque as avaliações ainda não são confortáveis”, disse Mihir Vora, chefe de investimentos da Max Life Insurance em Mumbai, em uma entrevista. A seguradora, que tem US$ 5,4 bilhões em ativos, já é acionista de empresas de cimento, fabricantes de veículos e empresas de logística, companhias que provavelmente se beneficiarão com o imposto, disse ele.

Mesmo assim, para os investidores offshore, a aprovação do imposto tem a ver tanto com a trajetória das reformas econômicas da Índia quanto com os benefícios para a indústria. Desde que tomou posse em maio de 2014, Modi expandiu os investimentos estrangeiros diretos em setores como linhas aéreas e ferrovias e reformou uma lei de concordatas de um século.

“A aprovação do GST transmite uma mensagem forte para a comunidade global de investimentos”, disse A.S.T. Rajan, diretor administrativo sênior da Aquarius Investment em Cingapura. “Ela aumenta o apelo da Índia como destino para investimentos”.

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