Por Rachel Gamarski.

Líderes econômicos e políticos do governo de Michel Temer endureceram o tom sobre a necessidade das reformas e do ajuste fiscal no Brasil, após sinais de perda de apoio no Congresso. Os ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmaram, durante evento de inauguração do novo escritório da Bloomberg em Brasília, que o maior compromisso do governo é com o cumprimento da meta fiscal, com déficit de R$ 139 bilhões para 2017.

Dyogo Oliveira, Henrique Meirelles e Rodrigo Maia
Dyogo Oliveira, Henrique Meirelles e Rodrigo Maia

“Não é mais doa a quem doer, é doa o quanto doer. E vai doer em todos”, disse Dyogo.

Para garantir o acerto das contas, o governo mostra que irá cortar gastos e, inclusive, elevar impostos, se necessário. “Governo não tem intenção de aumentar imposto, mas o importante é cumprir a meta fiscal”, disse o ministro da Fazenda, reforçando que uma eventual elevação seria “temporária”.

Nesse contexto, a reforma da Previdência é considerada inevitável pelo governo. Segundo Meirelles, caso o projeto não seja aprovado, será necessária uma elevação de 10% da carga tributária para pagar apenas o aumento do déficit previdenciário.

Alinhado com o núcleo econômico no âmbito da reforma da Previdência, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chegou a chamar de “tímida” a proposta de reforma trabalhista enviada pelo governo e anunciou que serão feitos ajustes mais duros. “Infelizmente o presidente Michel Temer não vai gostar, mas a Câmara precisa dar um passo além do que está colocado no texto do governo”, disse no evento. Para Meirelles, é prerrogativa do Congresso avançar ainda mais na reforma trabalhista.

Convencido de que o processo de aprovação das reformas não será fácil e da resistência que enfrentarão pelos parlamentares, o ministro da Fazenda está empenhado em falar com os congressistas. Só nesta semana, Meirelles conversa com as bancadas do PMDB, PSD, PRB e PP.

Para Maia, qualquer alívio que o Congresso desejar fazer na proposta de reforma da Previdência deverá vir acompanhado de sugestões para compensá-la. “Se o plenário entender que a regra está errada, vai precisar tirar de alguém, e não será do aposentado, porque não terá coragem.”

Já mirando as eleições de 2018, o presidente da Câmara disse que o Brasil poderá ter uma previsibilidade “muito maior” com Temer como “condutor”, caso o governo consiga concretizar seus projetos. “Com a economia dando certo, partidos da base estarão unidos e teremos candidatura forte, independente do nome. Se não der certo, teremos risco de algo fora dos padrões.”

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