Por Lorenzo Totaro e Giovanni Salzano.

Os italianos que vivem abaixo da linha da pobreza extrema quase triplicaram na última década, quando o país atravessou um duplo mergulho na longa recessão.

A pobreza extrema, situação de quem não consegue pagar uma cesta de bens e serviços básicos, atingiu 4,7 milhões de pessoas no ano passado, contra quase 1,7 milhão em 2006, informou o instituto nacional de estatísticas, o Istat, na quinta-feira. O número representa 7,9 por cento da população e a maioria desse total está concentrada na região sul do país.

Enquanto a Itália atravessava sua recessão mais longa e profunda desde a Segunda Guerra Mundial, entre 2008 e 2013, mais de um quarto da produção industrial do país evaporou. No mesmo período, o desemprego também aumentou, chegando a 13 por cento em 2014 após atingir um mínimo de 5,7 por cento em 2007. O desemprego era de 11,3 por cento na última verificação, em maio.

A Itália enfrenta há décadas uma baixa taxa de fertilidade — apenas 1,35 filho por mulher, contra uma média de 1,58 em toda a União Europeia, formada por 28 países, em 2015, último ano com dados comparáveis disponíveis.

“O relatório da pobreza mostra que não tem sentido perguntar por que há menos recém-nascidos na Itália”, disse Gigi De Palo, chefe do Fórum das Associações Familiares da Itália. “Ter um filho significa tornar-se pobre. Aparentemente na Itália as crianças não são vistas como um bem comum.”

O número de pobres absolutos aumentou no ano passado entre os mais jovens, chegando a 10 por cento no grupo daqueles com 18 a 34 anos. A taxa caiu entre os idosos, para 3,8 por cento, na faixa etária a partir de 65 anos, mostrou também o relatório do Istat.

Renda de inclusão

No início do ano, o Parlamento em Roma aprovou uma nova ferramenta antipobreza chamada renda de inclusão, que está substituindo as medidas existentes de apoio à renda. Ela beneficiará 400.000 famílias, um total de 1,7 milhão de pessoas, publicou o jornal diário Il Sole 24 Ore, citando documentos parlamentares. O programa será financiado com cerca de 2 bilhões de euros (US$ 2,3 bilhões) em recursos neste ano e o montante deverá chegar a cerca de 2,2 bilhões de euros em 2018, afirmou o Sole.

A incidência da pobreza relativa, que é calculada com base na despesa média de consumo e afeta um grupo maior de pessoas, também aumentou no ano passado na Itália.

Os indivíduos pobres em termos relativos somavam quase 8,5 milhões, ou 14 por cento da população, com incidência maior nas famílias com mais filhos e nos grupos com idade inferior a 34 anos, informou o Istat.

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