Por Josué Leonel com a colaboração de Marisa Castellani e Vinícius Andrade.

O mercado tem um prazo relativamente curto para se posicionar em relação ao que pode ser o momento mais decisivo do governo de Michel Temer: a votação da reforma da Previdência no 1º turno na Câmara, esperada para entre o final de maio e o começo de junho. Se o governo aprovar a reforma tida como mais desafiadora com uma boa margem sobre o mínimo necessário, de 308 votos, o mercado tende a ganhar segurança para precificar não apenas a mudança da Previdência. Caso o maior obstáculo seja superado, aumentará também a confiança no avanço em outras frentes da agenda econômica do governo, que inclui ainda a reforma trabalhista e as concessões.

O resultado da votação da reforma da Previdência na Câmara será “crítico”, diz William Landers, chefe global de mercados emergentes da firma americana de investimentos BlackRock. Embora precise ser votada em dois turnos na Câmara e Senado, o mercado poderá precificar a aprovação da reforma já após o 1º turno, se a proposta passar com vantagem folgada.

Landers prevê de 15% a 20% de alta para a bolsa até o fim do ano com as mudanças aprovadas. Para ele, o dólar “já está num nível bem razoável”, mas as reformas devem ampliar o espaço para o BC cortar os juros e contribuir para o governo colocar a “economia nos eixos”.

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Para o economista Sérgio Vale, da MB Associados, o “grande drama” será o 1º turno na Câmara, que ele prevê para o final de maio. As posteriores votações em 2º turno na Câmara e no Senado devem ser mais tranquilas. Ele vê a aprovação da reforma como precificada, mas, se o governo “ganhar de lavada”, será reforçada a perspectiva de o BC acelerar o corte da Selic de 1 ponto percentual para 1,25 ponto. Um placar em torno de 330 votos, diz Vale, seria considerado confortável.

A Eurasia elevou na quinta-feira de 70% para 80% a probabilidade de a reforma da Previdência ser aprovada. Segundo relatório da consultoria, a votação no plenário da Câmara deve ocorrer em cerca de 3 semanas, com possibilidade de atraso de uma semana ou duas, e a aprovação no Senado deve acontecer em setembro.

Marcus André Melo, professor de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco, também avalia que a reforma será aprovada, apesar de todo o custo político e das possíveis deserções da base de Temer. Sobre os protestos de rua e receios de perdas de votos em 2018 por causa de apoio à reforma, o professor aponta um dos motivos pelos quais parlamentares não se deixam intimidar: “Se 30% das pessoas não sabem em quem votaram 30 dias após as eleições, imagine se vão saber quem votou ou não pela reforma da Previdência”.

O mercado financeiro ainda mantém um certo “pé atrás“ devido às turbulências políticas já experimentadas no Brasil, mas o otimismo quanto às chances de as mudanças serem aprovadas resiste. “Apesar de todos os problemas, no dia a dia o Congresso está votando com o governo”, diz Landers, da BlackRock.

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