Montadoras entram na guerra do carro elétrico apesar dos custos

Por David Welch com a colaboração de Tommaso Ebhardt.

Dois fatos desafiam a lógica: até o fim do ano, a fabricante de carros elétricos Tesla terá gasto mais de US$ 10 bilhões sem ter ganho nem mesmo US$ 0,10. No entanto, fabricantes do mundo inteiro estão fazendo fila para competir com ela.

Quase 50 modelos novos exclusivamente elétricos chegarão ao mercado global daqui até 2022, entre eles veículos da Daimler e da Volkswagen. Até o inventor britânico James Dyson entrou no jogo e anunciou na semana passada que investirá dois bilhões de libras esterlinas (US$ 2,7 bilhões) para fabricar um carro elétrico e as baterias que o moverão.

Os motivos para seguir a Tesla são em parte a burocracia e em parte o espetáculo. Os órgãos reguladores de Pequim elaboraram um plano para tornar obrigatória a produção de veículos elétricos na China e a Califórnia exige que as fabricantes produzam mais VEs ou comprem créditos das rivais. Por outro lado, o CEO da Tesla, Elon Musk, e seus carros elegantes chamaram a atenção dos americanos de tal maneira que os consumidores e investidores estão colocando dinheiro em sua empresa no Vale do Silício.

“Ninguém duvida que o futuro será elétrico”, disse Eric Joachimsthaler, fundador e CEO da Vivaldi, empresa de estratégia de marcas que trabalha com fabricantes alemãs de veículos de luxo. “As fabricantes foram lentas com os carros elétricos. Agora elas estão sendo arrastadas pela Tesla e pelas regulamentações.”

Obstáculos

Atualmente, a tecnologia cara das baterias ainda provoca sangrias de dinheiro. A General Motors perde cerca de US$ 9.000 em cada modelo elétrico Chevrolet Bolt que vende. A Tesla bateu recordes de vendas de VEs no ano passado — e mesmo assim perdeu US$ 675 milhões sobre US$ 7 bilhões em vendas.

“As empresas estão empenhadas em fabricar carros elétricos, mas não há muita evidência de que exista muita demanda do consumidor”, disse Kevin Tynan, analista sênior da Bloomberg Intelligence.

Então para que se incomodar? Uma das maiores razões é a China. Os carros elétricos receberam um impulso regulatório quando o país mais populoso do mundo publicou uma série de normas que visam reduzir as emissões de carbono e a polução até 2030. As fabricantes de carros devem produzir certa proporção dos chamados “veículos de energia nova” — que abrangem carros elétricos — para obter créditos e assim poder continuar vendendo carros a gasolina.

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