O que causa a oscilação do câmbio no Brasil?

Por ser uma moeda forte, o dólar é um dos ativos financeiros preferidos dos investidores e mesmo em períodos de crise econômica não perde valor na comparação com o real. Seu preço muda constantemente ao longo do dia, desafiando os traders, que precisam de muita agilidade nas negociações. Mas por que há tanta oscilação nesse mercado e quais recursos para acompanhar as movimentações em tempo real e com eficiência operacional?

O tema foi destaque do webinar “Sell Side Mid-Week Live”, com participação de especialistas do mercado financeiro. Além de analisar os fatores que influenciam a variação cambial no Brasil, foram apresentadas ferramentas da Bloomberg que ajudam profissionais da área a entender o que está por trás da alta do dólar e como obter informações com mais velocidade para tomada de decisão.

Transformação digital e o cenário econômico em um contexto de alta volatilidade Acesse insights para o sell side

A transmissão contou com a participação da economista-chefe da Bloomberg para Brasil e Argentina, Adriana Dupita, e também com a presença de Marcelo Biondo, especialista em FX Eletronic Trading da Bloomberg. Confira abaixo os assuntos que foram os destaques desta apresentação.

Caso queria conferir a live na íntegra, clique aqui.

Fatores que influenciam a alta do dólar

A volatilidade do câmbio afeta as decisões de negócios no Brasil. Adriana explicou que as variações constantes fazem com que o mercado financeiro enfrente uma montanha-russa cambial e com emoção. O dólar começou 2020 cotado a R$ 4,03, caiu para R$ 4, depois disparou, chegando em maio último a quase R$ 6, com a elevação da aversão ao risco. Em junho, a moeda teve queda e no dia da apresentação da live (17/06), era negociado a R$ 5,23.

Com o sobe e desce do câmbio, a economista Adriana mostrou por meio de dados que a moeda brasileira se tornou uma das mais voláteis no mercado mundial. Pelo ranking do World Currency Ranking Systems (WCRS) da Bloomberg sobre o desempenho dos principais mercados emergentes, o real foi a moeda que teve pior performance no primeiro semestre desse ano.

A oscilação cambial é influenciada por diversos motivos. Porém, Adriana destacou que os principais fundamentos são: estrutural (ligado aos fatores externos), cíclico (momento específico da economia local e global), ruído (fluxo de notícias que impactam o mercado financeiro) e técnico (posicionamento de mercado).

4 fatores que influenciam o câmbio

1 – Fundamento estrutural

– Passivo externo

– Custo do passivo externo

2 – Componente cíclico

– Hiato do produto

– Diferencial de juros

– Termos de troca

3 – Ruído

– Notícias que impactam o mercado financeiro

– Intervenção do Banco Central

4 – Posicionamento de mercado

Entre esses fatores, a economista da Bloomberg afirmou que dois fundamentos são os mais usados para entender a variação do câmbio. O primeiro é o estrutural, que leva em consideração principalmente os fatores externos. A situação do passivo externo e seu custo no mercado internacional são usados para verificar o grau de investimento e comprometimento da economia brasileira.

O segundo fundamento é o componente cíclico, que observa um momento específico da economia local ou global. Por exemplo, quando há hiato do produto, que é uma ociosidade no mercado de trabalho, gerando queda da inflação e da taxa de juros, com reflexo no ciclo da economia. Esse fator também é usado para avaliar o termo de troca, que leva em conta os preços das importações e exportações que geram impacto no câmbio.

De acordo com a economista, “o que não conseguimos usar muito para fazer projeção de câmbio, principalmente, de médio prazo, são os fatores que chamamos de ruídos, que é, por exemplo, como evolui o noticiário”. Ela acrescentou que “o noticiário político tem um peso gigantesco sobre a determinação da taxa de câmbio, seja por uma questão de expectativa ou do que o equilíbrio da força política pode significar para a economia”.  A política de intervenção do Banco Central também influencia no câmbio.

Ouça as explicações de Dupita sobre os fatores de oscilação do câmbio

A economista avaliou também uma série histórica de dados da Bloomberg dos últimos 20 anos sobre as variações do câmbio e enfraquecimento da moeda brasileira. Pelas análises dos fundamentos apresentados, o valor do dólar deveria estar hoje entre R$ 3,75 e R$ 4.

Confira o áudio de Dupita sobre análises históricas do dólar

Como acompanhar em tempo real a variação do câmbio

Acompanhar o sobe e desce diário do dólar para orientar e acalmar os ânimos dos investidores não é uma tarefa fácil para os especialistas do mercado financeiro. A economista Adriana mostrou durante a live que utiliza diversas ferramentas para analisar dados do mercado, acompanhar índices e notícias em tempo real, entre outros sistemas eletrônicos.

Marcelo Biondo explicou que as soluções eletrônicas automatizam fluxos de trabalho do trading, simplificam a comunicação e garantem que os  processos estão sendo realizados com compliance. Entre as soluções, as ferramentas da Bloomberg FXGO e EMSX (Execution Management System). A primeira é uma plataforma de negociação eletrônica que permite que tomadores de preços executem transações cambiais com os bancos de sua escolha. A segunda é um sistema de gestão de execução que integra dados do Terminal Bloomberg sobre bolsas e corretoras com ordens de negociação.

Segundo ele, são alternativas versáteis, que podem ser integradas com outros sistemas internos para eliminar retrabalho e fazer com que os fluxos aconteçam automaticamente.

Ouça o áudio de Biondo sobre automação do sell side

A digitalização do trading é essencial para fazer negociações com mais velocidade, segurança e competitividade, principalmente em momentos de maior volatilidade.

Para saber mais sobre as ferramentas eletrônicas da Bloomberg para automatizar suas operações, clique aqui.

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