Perspectivas para o mercado secundário com chegada do BC

O mercado secundário, onde os valores imobiliários de novas emissões de companhias são negociados diretamente entre os investidores, como títulos de debêntures, ganhou um novo player. Trata-se do Banco Central, que foi autorizado a comprar e vender ativos para dar mais liquidez ao segmento. O BC recebeu permissão para o operar nessa área após a promulgação, no início de maio/20, da emenda constitucional do orçamento de guerra do governo federal. A medida separa do orçamento geral da união os gastos emergenciais para conter os impactos gerados pela pandemia da COVID-19.

A nova operação do BC e a recente abertura de spreads no mercado secundário de debêntures foram tema da Sell Side Mid-Week Live, uma série de webinars realizada pela Bloomberg com especialistas do setor financeiro. Uma das lives foi um bate-papo com, Pedro Sturm, sócio e head da mesa institucional de crédito privado da XP Inc., empresa brasileira de gestão de investimentos, que opera com renda fixa, ações, fundos de investimento, entre outros serviços financeiros.

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Sturm atua há mais de 10 anos no setor financeiro, com passagens pelo Itaú BBA e Banco BBM. Durante a live, ele analisou as aberturas de spreads de crédito privado no mercado secundário, a entrada do BC no segmento e os desafios do trabalho em home office estendido pela XP até dezembro. O executivo também deu dicas de livros e filmes que ajudam a entender mais o sobre mercado financeiro. A apresentação foi comandada por Sandro Amorim, especialistas de mercado da Bloomberg, com foco em produtos de renda fixa.

Para conferir a transmissão na íntegra, clique aqui.

Abertura de spreads de crédito no mercado secundário

O mercado secundário passou recentemente por duas aberturas de spreads de crédito privado. Uma delas foi no final do ano passado e a outra entre março e abril de 2020, durante o ápice da pandemia do coronavírus no Brasil.

Ao comentar sobre a abertura de spreads de crédito, Sturm considerou que ocorreu mais por causa da troca de perfil dos ativos. “A gente viu a taxa Selic sendo cortada seguidamente. Renda fixa ficou um pouco menos atrativa”, disse, lembrando que entre outubro e novembro de 2019, os papéis em percentual DI reduziram a atratividade e acabaram sofrendo no mercado secundário. Alguns fundos tiveram fluxo de resgate e gerou a primeira abertura, que segundo o executivo, foi tranquila e saudável para o mercado.

Já a abertura de spreads pós-pandemia, apresentou outro cenário. Sturm relatou que em período de incertezas, há um fluxo maior de captação do fundo de renda fixa por causa do perfil mais conservador do ativo. “Só que a gente viu um movimento diferente. Vimos as pessoas saindo dos fundos de crédito, principalmente dos D0/D1 e migrando para ações e fundos de multimercado”. O investidor tentou aproveitar a queda de preços das ações para ter ganho no futuro. “Então, isso gerou um fluxo de resgaste nessa indústria de fundo de crédito privado”, afirmou.

Os papéis incentivados tiveram abertura de spreads de crédito privado mais fraca, conforme análise de Sturm. Isso porque os fundos de debênture de infraestrutura não tomaram tanto resgate quanto os de D0.

Ouça análises de Sturm sobre a abertura de spreads de crédito privado

O que esperar do BC na operação de crédito privado?

A entrada do Banco Central do Brasil no mercado secundário de crédito privado é um movimento parecido ao realizado pelo Banco Central Europeu (BCE) e Federal Reserve (FED) dos Estados Unidos. Para Sturm, ter um player do tamanho do BC demonstra uma preocupação maior com o mercado secundário de crédito privado

“Os spreads de crédito realmente estavam irracionais e muito altos. Acho que essa primeira onda já foi. Agora o mercado está muito mais tranquilo e equilibrado em termos de compra e venda. Os resgates dos fundos já diminuíram bastante. Não está no nível que operava anterior, mas está mais equilibrado e muito mais saudável”, disse. Ele acredita que a nova atuação do BC ajudará a dar respaldo e mais liquidez a um mercado secundário.

Ouça comentários de Sturm sobre entrada do BC no mercado secundário

Informações consolidadas para decisões de negócios

Outro tema relevante que ganhou espaço durante o bate-papo com o sócio e head da mesa institucional de crédito privado da XP Inc., foi sobre o uso de tecnologias que ajudam a realizar as operações com mais agilidade e produtividade. Sturm informou que a necessidade de ferramentas eletrônicas aumentou mais ainda depois da pandemia do coronavírus quando a companhia decidiu manter todos os funcionários em home office até o final do ano.

Entre as soluções que XP está utilizando mais para realizar negócios com mais eficiência e agilidade em tempos de pandemia da COVID-19, estão sistemas para garantir a comunicação remota e videoconferência para manter a equipe atualizada sobre todas as operações realizadas ao longo do dia. Sturm destacou também o uso da ferramenta de pricing da Bloomberg. 

O executivo mencionou ainda o desafio de conseguir dados consolidadas para realizar as negociações de trading. “O mercado é uma colcha de retalhos. Você quer uma informação de uma emissão, tem que entrar no site do Agentes Fiduciários, quer uma informação de preços tem que entrar num chat com uma corretora específica. Então, a gente está tentando colocar numa coisa só todas as informações”, disse Sturm.

Sandro Amorim, especialistas de mercado da Bloomberg com foco em produtos de renda fixa, explicou que a Bloomberg está tentando simplificar o dia a dia do trading. Como exemplo disso, citou novas funcionalidades adicionadas ao Terminal da Bloomberg para facilitar as pesquisas de ativos, como CF<GO>, que faz a consolidação de diversos dados sobre títulos de debêntures, eliminando a necessidade de consulta a diferentes bases de informações. O outro recurso é a inclusão da fonte de preços BVAL para esse tipo de título.

Ouça informações de Amorim sobre as soluções da Bloomberg

A automação dos fluxos e a consolidação das informações são essenciais para aumentar a escalabilidade e eficiência operacional do trading. A Bloomberg pode ajudar a digitalizar negócios para mais produtividade e velocidade nos negócios, oferecendo um portfólio completo de soluções, como é o caso do B-PIPE. Trata-se de uma plataforma para acesso em tempo real a dados consolidados de todas as classes de ativos. Clique aqui e saiba mais.

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