Pimco perde coroa de maior fundo de títulos de emergentes

Por Ye Xie e John Gittelsohn.

A Pacific Investment Management perdeu o título de gestora do maior fundo de bonds de mercados emergentes do mundo, abalada por apostas inoportunas que causaram um êxodo de investidores.

O total de ativos gerenciado pelo Pimco Emerging Local Bond Fund caiu 62 por cento em relação ao pico de abril de 2013, para US$ 6 bilhões no fim de outubro. Ficou US$ 150 milhões menor que um fundo constituído na Irlanda administrado pela Stone Harbor Investment Partners.

Apesar de poucos fundos de mercados emergentes terem escapado dos prejuízos depois que a queda dos preços das commodities e o dólar americano forte esmagaram as moedas dos países em desenvolvimento, nenhum perdeu tanto dinheiro quanto a Pimco.

Depois de atrair mais ativos do que qualquer outro concorrente após a crise financeira de 2008, os investimentos desproporcionais da Pimco em países como o Brasil a deixaram para trás de sua referência. As disputas de poder na Pimco abalaram ainda mais a confiança dos investidores depois que os ex-CEOs Bill Gross e Mohamed El-Erian deixaram a empresa.

“Certamente o desempenho da Pimco tem sido desafiado nos últimos anos”, disse Philip Schmitt, analista sênior de pesquisa da empresa de consultoria Verus Investments, em Seattle, nos EUA. “As pessoas estão mostrando sua opinião sobre os emergentes”, disse ele, acrescentando que os fundos de mercados emergentes, de uma forma geral, têm enfrentado problemas devido à valorização do dólar.

Agnes Crane, porta-voz da Pimco, preferiu não comentar a queda dos ativos.

Baixo desempenho do fundo

O fundo de bonds locais da Pimco, gerenciado por Michael Gomez em Newport Beach, Califórnia, perdeu 25 por cento em três anos até 16 de novembro em termos de retornos totais, contra uma queda de 22 por cento do índice de referência do JPMorgan Chase para os bonds dos mercados emergentes. O fundo, que investe em bonds em moeda local de países em desenvolvimento, ficou 69 por cento atrás de seus pares monitorados pela Bloomberg.

Para aumentar os problemas da Pimco, a saída surpresa de El-Erian, em janeiro de 2014, expôs uma disputa de poder que culminou com a expulsão de Gross, oito meses depois. O total de ativos sob gestão da Pimco caiu para US$ 1,5 trilhão até setembro, contra US$ 2 trilhões em 2013. O Pimco Total Return Fund também perdeu sua coroa de maior fundo de bonds do mundo para um fundo negociado em bolsa da Vanguard Group, caindo para US$ 93,7 bilhões em outubro, menos de um terço do pico registrado em abril de 2013.

Apostas no Brasil

O êxodo dos investidores dos fundos de mercados emergentes da Pimco foi abrangente. Os ativos dos 11 fundos gerenciados por Gomez encolheram para US$ 20 bilhões, contra mais de US$ 50 bilhões em seu auge, em abril de 2013, segundo dados compilados pela Bloomberg. Um fundo que investe em bonds denominados em dólares em mercados emergentes perdeu três quartos de seus ativos e chegou a US$ 2 bilhões em três anos, enquanto um fundo de bonds corporativos caiu para US$ 222 milhões após um pico de US$ 1,6 bilhão.

Os grandes investimentos no Brasil tiveram um papel importante na montanha-russa observada nos fundos da Pimco. Em 2002, uma aposta obstinada conduzida por El-Erian na maior economia da América Latina ajudou a polir a reputação da Pimco em relação aos mercados emergentes. Neste ano, os bonds do Brasil perderam 28 por cento em dólares depois que um escândalo de corrupção paralisou o governo da presidente Dilma Rousseff e atrasou os esforços para frear descontroles de déficit e dívida.

O fundo local da Pimco mantinha 16,4 por cento de seus ativos em bonds brasileiros em junho, medidos pela duração, antes de diminuir essa fatia para 13,9 por cento no terceiro trimestre, segundo o site da empresa. As participações contrastaram com o peso de 10 por cento do Brasil no índice de referência do JPMorgan para os mercados emergentes.

Em uma nota publicada no site da Pimco no mês passado, Gomez e seu colega Lupin Rahman reconheceram que os ativos brasileiros continuarão “altamente voláteis e propensos a estourarem os limites em ambas as direções” por causa dos riscos políticos.

Na nota eles também disseram que estão “ciclicamente cautelosos” em relação aos mercados emergentes, mas que estão preservando poder de fogo e esperando oportunidades futuras.

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