Produtores de feno, "vão plantar milho no quintal” para colher lucros

Por Gerson Freitas Jr.

 
A maioria dos agricultores no Brasil tem bons motivos para comemorar o colapso da economia do país. Enquanto o resto luta contra a aceleração da inflação e o aumento do desemprego, produtores agrícolas estão embolsando lucros gordos com a queda na moeda brasileira.

O declínio de 30 por cento do real em relação ao dólar nos últimos 12 meses compensou uma queda significativa nos preços globais.

No centro-oeste do estado brasileiro de Mato Grosso do Sul, os agricultores estão sendo pagos cerca de 50 por cento a mais do que o ano passado para o milho que acabaram de iniciar o plantio, diz Andre Dobashi, produtos de soja e milho na cidade de Sidrolândia.

“Dilma nos salvou”, disse Dobashi em entrevista. “Os agricultores vão plantar milho no quintal, se possível.” O preço em reais para o milho entregue em Paranaguá para exportação subiu 54 por cento para níveis recordes no ano passado, contrastando com uma queda de 5 por cento em futuros do milho negociados na bolsa de Chicago. Os preços dos alimentos globais em dólares tiveram em 2016 o início mais baixo em quase sete anos, de acordo com o índice de preços de alimentos da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas. Os preços globais caíram três anos consecutivos, incluindo uma queda de 17 por cento em 2015.
 

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Os agricultores agora estão colhendo 100,9 milhões de toneladas de soja, principal cultura do país, após uma expansão de 3,6 por cento da área plantada, disse a agência de abastecimento da nação conhecida como Conab em 4 de fevereiro. A área a ser semeada com milho para a safra de inverno vai aumentar 9 por cento para ocupar 10,5 milhões de hectares, sinalizando um aumento de 6 por cento na produção para 57,7 milhões de toneladas, de acordo com estimativas da empresa de consultoria Agroconsult.

Os produtores de açúcar tinham vendido quase 68 por cento da produção prevista este ano com antecedência, em 31 de janeiro. As usinas estão aproveitando a moeda fraca para obter lucros à frente da colheita que começa em abril, disse Archer Consulting em 1° de fevereiro. Para Soren Schroder, CEO da Bunge, dono de oito usinas no país, a indústria de açúcar do Brasil é novamente a que possui o custo mais baixo de produção no mundo.

O impacto do boom agrícola sobre o resto da economia tem sido limitado. O aumento dos custos de financiamento e falta de confiança vão reduzir os investimentos que podem generalizar-se para outros setores. As vendas de tratores e colheitadeiras, por exemplo, caíram 35 por cento no ano passado, menor valor desde 2006.

O FMI prevê que o PIB do Brasil irá contrair 3,5 por cento este ano, depois de uma queda de 3,8 por cento em 2015. Este seria o pior desempenho da economia desde 1931.

“A confiança é o que faz o dinheiro mudar de mãos, e isso é o que move a economia”, diz Marcos Rubin, analista da consultoria no setor agrícola Agroconsult. “Os agricultores estão se saindo bem, mas eles não estão gastando.”

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