Quer abrir sua própria gestora? Novo guia orienta sobre as principais necessidades

O crescimento do mercado de capitais não se dá apenas na ponta da demanda, ou seja, dos novos investidores ou dos volumes recordes de captação. Do lado da oferta, os números são igualmente expressivos, com o lançamento de quase 4.000 fundos de investimento desde o fim de 2016, um salto de 25% (o número total em outubro passado era de 18.652). O número de gestoras cresceu 20% no período, totalizando 648 em outubro. É uma expansão acelerada que desperta a preocupação com a qualidade. Será que os entrantes e os novos produtos atendem aos melhores padrões?

Ao se deparar com esse questionamento, autoridades, profissionais do mercado e entidades decidiram lançar o primeiro “Guia para Gestoras de Fundos de Investimento“, com o passo a passo para a criação de gestoras e a explicação das melhores práticas necessárias para quem deseja empreender. O manual foi produzido em parceria pela Bloomberg, Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Cepeda Advogados e Options Group.

Guia para abrir sua gestora de fundos de investimento Acesse o relatório

Mas o que são as gestoras? O que elas fazem? São empresas privadas que administram os recursos de terceiros, em geral por meio de fundos de investimento. Em inglês, são chamadas de asset management. Historicamente, pertenciam aos grandes bancos, mas, nos últimos anos, tem havido o surgimento de gestoras independentes, muitas das quais lideradas por profissionais egressos das instituições tradicionais.

Por que o aumento de gestoras? Mais recentemente, as gestoras se multiplicaram no Brasil por uma conjunção de fatores. Há um ambiente favorável para quem quer empreender, em vez de ser funcionário de um grande banco ou mesmo de gestoras já estabelecidas no mercado. A queda da taxa básica de juros é outro fator, pois tem motivado investidores a sair da poupança, da renda fixa e dos grandes bancos em busca de maior rentabilidade.

Mudanças de regras promovidas pela CVM e a disseminação das plataformas abertas de investimento, que distribuem produtos de todo o mercado — o caso mais famoso é o da XP Investimentos –, também contribuíram para o aumento no número de gestoras e para o próprio crescimento do volume de recursos administrados.

Por que as instituições decidiram participar do guia? “A indústria de gestão de ativos vem crescendo muito, e o número de gestoras e de profissionais que atuam na área acompanha esse movimento. Esse guia chega em um momento muito adequado com tantos entrantes”, diz Zeca Doherty, superintendente-geral da Anbima.

“O Brasil está vivendo um crescimento incrível na gestão de investimentos e esperamos que este guia ajude a educar sobre o tema e a inspirar mais novos fundos”, diz Geraldo Coelho, diretor de vendas da Bloomberg para a América Latina. Segundo ele, a iniciativa de lançamento do guia surgiu da experiência do dia a dia. “Muitos profissionais relataram dificuldade para entender como funciona o processo de criação da gestora”, afirma.

O Guia apresenta 8 passos fundamentais para a criação de uma gestora, descritos resumidamente abaixo:

  1. Criação da empresa, com um gestor para os ativos
  2. Montar um plano de negócios detalhado
  3. Estimar os custos do negócio e levantar os recursos
  4. Atender as exigências de legislação
  5. Obter as certificações necessárias
  6. Montar a equipe de profissionais
  7. Dispor de infraestrutura para operar, incluindo a tecnológica
  8. Contar com fontes de dados financeiros confiáveis

Quer saber mais? O manual, que é gratuito e online, pode ser acessado neste endereço: Guia para Gestoras de Fundos de Investimento.

Segundo Coelho, da Bloomberg, faz parte dos planos atualizar o guia com alguma periodicidade, para que mudanças na regulação ou avanços tecnológicos possam ser incorporados a eventuais novas edições.

Este conteúdo foi originalmente publicado no site 6 Minutos.

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