Os metais industriais podem ter perdido o encanto.

Após subirem mais de 50 por cento em dois anos em relação ao nível mais baixo desde a crise financeira global, eles sinalizam que estão perdendo impulso, com uma ou duas exceções. Confira cinco tópicos que mostram um panorama no momento em que corretores, traders e produtores estão reunidos em Hong Kong para avaliar perspectivas na LME Asia Week.

Tempo esgotado

O LMEX Index, um índice global de desempenho dos metais, apresenta queda no acumulado do ano, o que reduz o salto registrado desde o início de 2016. Pontos positivos: o alumínio, abalado pelas sanções dos EUA à United Company Rusal, e o níquel estão próximos do maior patamar em três anos. Mas os metais têm dificuldades para avançar na ausência de iniciativas políticas importantes da China, a maior consumidora, e em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, perturba os mercados internacionais com tarifas, sanções e tuítes.

Cobre a US$ 8.000?

O doutor Cobre teve um começo de ano difícil porque as negociações com a mão de obra das grandes minas têm sido mais serenas do que se esperava, os níveis de estoque de metais não permanecem baixos por muito tempo e o tão alardeado déficit de oferta não tem gerado reflexos. Ainda assim, o metal pode chegar a US$ 8.000 a tonelada em 12 meses devido à melhora da demanda chinesa, segundo o Goldman Sachs. Os preços estavam em torno de US$ 6.935 nesta segunda-feira.

Roleta-russa

O alumínio ficou com o prêmio de metal mais cheio de novidades neste ano. Os preços continuam voláteis enquanto a indústria global espera clareza para saber o que acontecerá com a oferta da Rusal. As medidas de choque dos EUA contra a maior produtora fora da China elevaram os preços em mais de 25 por cento em menos de 10 dias no mês passado, embora os valores tenham diminuído desde então porque o impacto parece mais moderado do que o esperado.

Demanda da eletrificação

A próxima revolução do transporte, que já impulsionou metais com grande presença em baterias, como cobalto e lítio, ainda está longe de deixar sua marca nos metais de base. Mas os veículos elétricos já são um dos principais tópicos do setor, sendo que o níquel e o cobre, em particular, deverão tirar proveito da necessidade crescente de baterias e infraestrutura de recarga.

Tempos mais felizes

Este mesmo evento, dois anos atrás, foi prejudicado pela insatisfação generalizada entre os traders de metais em relação aos aumentos acentuados nas comissões do trading. O assunto foi resolvido em 2017, com cortes nas comissões de alguns produtos populares sob o comando do novo CEO Matthew Chamberlain. O volume médio diário de trading nos metais aumentou 20 por cento em relação ao ano anterior no primeiro trimestre, mas as comissões mais baixas fizeram com que a HKEX recebesse menos benefícios.

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