Retornos do rublo mostram aonde vai dinheiro barato do mundo

Por Andrey Biryukov e Maria Kolesnikova.

Para ver um exemplo de como o clamor global por yields está afogando os riscos na economia mundial, basta olhar para o rublo russo.

A demanda de investidores por retornos mais altos ofuscou uma queda nos preços do petróleo e levou a correlação do rublo com o petróleo bruto para o nível mais baixo em um ano. A moeda do maior exportador de energia do mundo passou de ter um dos cinco piores desempenhos do mercado emergente em 2015 a atingir o terceiro melhor neste ano. A economia da Rússia se contraiu 0,6 por cento no segundo trimestre em relação ao ano anterior, o menor recuo desde uma contração iniciada no começo de 2015.

O futuro também parece ser mais favorável, porque os traders de opções têm a postura menos pessimista sobre a perspectiva do rublo no longo prazo desde meados de 2014. Anos de políticas de dinheiro barato nas economias desenvolvidas levaram os yields de vários países, do Japão à Europa, para abaixo de zero — em forte contraste com a Rússia, cuja taxa de referência de 10,5 por cento a transforma em um destino popular para o dinheiro tomado emprestado de forma barata em outros países.

“O rublo vai ter um dos melhores desempenhos nos mercados emergentes”, disse Saad Siddiqui, analista do JPMorgan Chase & Co., que ficou no primeiro lugar dos últimos rankings de moedas da Bloomberg para a Europa, o Oriente Médio e a África. “Ele oferece um dos melhores carry trades”.

O JPMorgan projeta um ganho de 5 por cento no rublo, de 64,72 por dólar nesta sexta-feira em Moscou para 61,36 no fim do ano. A cotação contrasta com a projeção de queda de 1 por cento em uma pesquisa da Bloomberg com analistas.

Recuperação

O rublo teve uma alta de 14 por cento neste ano, o melhor rendimento nos mercados emergentes depois do real e do rand sul-africano. É uma recuperação em relação a janeiro, quando o colapso dos preços do petróleo bruto levou a moeda para menor a cotação de sua história, 85,999 por dólar.

A corrida global para garantir yields ajudou o rublo a resistir a um novo surto de fraqueza do petróleo neste trimestre. Embora o Brent tenha caído 7 por cento desde junho, o rublo está quase 1 por cento mais forte e os carry traders levaram para casa um retorno de 21 por cento neste ano, o segundo melhor retorno depois do real entre 23 pares de países em desenvolvimento. A correlação entre o rublo e o petróleo em 30 dias caiu para 0,5, a mais baixa desde junho de 2015, em comparação com até 0,9 em outubro. Uma leitura de um ponto significaria que os dois ativos avançam juntos.

O prêmio dos contratos para vender o rublo frente ao dólar em um ano, em comparação com as opções de compra, diminuiu para 4,1 pontos percentuais nesta semana, o menor valor desde julho de 2014, mostram dados compilados pela Bloomberg. O número contrasta com mais de 17 pontos percentuais em janeiro, quando o rublo registrou uma desvalorização recorde.

“No atual ambiente global, com yields em níveis mínimos recorde nas economias desenvolvidas, os investidores estão procurando oportunidades no universo dos mercados emergentes”, disse Piotr Matys, estrategista do Rabobank em Londres. “Aqueles com yields altos estão no topo da lista”.

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