Risco e operações de tesouraria centralizados de fato

Alison Fletcher, especialista de mercado da Bloomberg, contribuiu para este artigo. Versão original inicialmente publicada no Terminal Bloomberg.

Mais e mais empresas estão caminhando na direção de centralizar risco e operações de tesouraria. O ambiente atual veio destacar a necessidade de supervisão consolidada no nível da empresa, tanto de uma perspectiva de hedge quanto de risco. Avanços em tecnologia e supervisão vem mostrando que obstáculos tradicionais — por exemplo, a necessidade de negociar moedas onshore com bancos locais e a prioridade mais recente para gerenciar exposições de risco de crédito de grupo — não são mais barreiras à centralização da tesouraria corporativa.

Formulação de uma estratégia centralizada de hedging e execução
Nasce uma melhor prática: as tesourarias corporativas não estão mais fazendo hedge de uma porcentagem fixa de cada uma de suas exposições em moeda estrangeira, mas sim uma otimização para garantir que qualquer hedge reduza, de forma mais eficiente, a exposição a flutuações do mercado financeiro. Normalmente, as tesourarias corporativas buscam medir e ter hedge contra volatilidade em fluxos de caixa previstos. Esta abordagem tem mérito; no entanto, não leva em consideração uma possível volatilidade nos lucros no nível do grupo devido a movimentos ou flutuações da taxa de câmbio. Na verdade, fazer o hedging apenas dos fluxos de caixa pode exacerbar o risco sobre os lucros. Ao colocar em vigor uma estratégia de hedging, uma tesouraria centralizada deve identificar quais exposições se referem a fluxo de caixa, a lucros e a ambos e calcular os respectivos riscos associados a cada uma. Em seguida, quaisquer hedges potenciais devem ser avaliados para reduzir o risco da forma mais eficaz.

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Uma vez que a estratégia de hedging esteja em vigor, vem a gestão da execução de fato. Frequentemente, vemos tesourarias centralizadas se debatendo com os vários tipos de solicitações de negociação das subsidiárias. Felizmente, existe tecnologia para automatizar este processo e oferecer a supervisão necessária exigida pela sede. A seguir, apresentamos uma lista de itens obrigatórios para qualquer tecnologia de negociação que vincule uma subsidiária à sua tesouraria centralizada:

  • As subsidiárias podem transmitir as solicitações de negociação para execução pela tesouraria central
  • Manter as subsidiárias no loop – recebendo atualizações sobre o status e a execução da transação
  • Importar parciais das subsidiárias de uma planilha/TMS
  • Criar regras de mapeamento automático para o centro [de custo] e registro corretos
  • Sinalizar ordens das subsidiárias conforme necessário
  •  Negociações internas/consecutivas
  • Trilha de auditoria e STP
  • Lucrar, se possível

Uma consideração que frequentemente surge é a capacidade da controladora de negociar moedas no mercado local em nome da subsidiária. Dado o número crescente de moedas em mercados emergentes ao qual as empresas globais estão expostas, esta é uma preocupação razoável, pois o controle monetário muitas vezes determina que as moedas onshore sejam negociadas em nome da subsidiária com um banco local. Novamente, a tecnologia traz uma solução. As plataformas de negociação eletrônica de câmbio atualmente conseguem garantir que as tesourarias centralizadas possam negociar em nome de suas subsidiárias e negociar tanto instrumentos a termo não transferíveis offshore quanto transferíveis onshore. Além disto, a negociação pode ser feita com bancos locais ou internacionais e as análises das transações eletrônicas podem fornecer uma visão em tempo real do momento de maior liquidez do dia para negociar.

Garantia da supervisão do risco de grupo

Um elemento crucial de uma tesouraria centralizada eficiente é a capacidade de ter uma visão consolidada e holística do risco de grupo — seja o risco ligado a avaliações, suscetibilidade do mercado ou crédito.

A análise de portfólio com ferramentas de hierarquia é fundamental, quer se refira a negociações, exposições ou contrapartes. Também é fundamental ter a capacidade de quebrar ou subdividir os dados conforme necessário, por exemplo, por maturidade, data de avaliação, moeda do relatório, subsidiária, controladora, contraparte bancária, probabilidade de default, etc.

A avaliação das negociações em circulação na moeda relevante, tanto no nível da subsidiária quanto do grupo, pode auxiliar não apenas como uma ferramenta de relatório, mas também fornecendo à tesouraria centralizada informações de exposição consolidadas referentes a todos os parceiros bancários, de forma global
Da mesma maneira, o uso de análises de portfólio de crédito sobre estas contrapartes pode avaliar a previsão futura de default potencial, permitindo que a tesouraria centralizada faça ajustes importantes perante os bancos com os quais faz hedge antes de quaisquer potenciais eventos de crédito. O uso de ferramentas de ajuste de avaliação de contraparte (CVA) pode garantir a melhor decisão sobre qual entidade negociar; as ferramentas CVA também levam em consideração as negociações em circulação existentes e se o novo hedge, de fato, vai reduzir ou aumentar a exposição a uma contraparte específica.

As ferramentas de portfólio também podem contribuir com uma visão geral numérica do impacto de choques potenciais nos mercados financeiros, p. ex., de que forma câmbio, commodities ou taxas de juros afetarão a organização.

Seja por garantir total transparência das subsidiárias para reduzir o risco do grupo ou operacionalizar uma política de hedging e um programa de execução consolidados, inúmeras eficiências podem ser obtidas ao simplificar este processo e adotar análises de portfólio destinadas a tornar realidade a centralização da tesouraria corporativa e o alcance de uma supervisão completa.

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