Por Josue Leonel e Ana Carolina Siedschlag.

A prisão de Joesley Batista se soma à delação do ex-ministroAntonio Palocci da última semana e anima o mercado financeiro, com a bolsa brasileira testando o nível recorde acima de 74.000 pontos e o CDS de 5 anoscaminhando para a 9ª baixa consecutiva. Embora as incertezas não tenham desaparecido, analistas veem um quadro mais favorável às reformas agora e à eleição de um presidente que as defenda em 2018.

“O furacão Janot foi rebaixado de um nível quatro para três e caminha para dois”, diz Thiago Aragão, analista político da consultoria Arko Advice, comparando a perda de intensidade de furacões com a redução da força da crise política deflagrada em 17 de maio pela delação da JBS, conduzida pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot. Para Aragão, há chances até de Janot não enviar à Câmara uma segunda denúncia contra Temer e, se a denúncia for enviada, o governo deve vencer novamente.

Delação de Palocci na semana passada, com acusações contra Lula e Dilma, também ajuda a alimentar o otimismo do mercado, que vê a redução do risco de Lula ou outro candidato contrário às reformas vencer a eleição. “Seja Lula ou Haddad, qualquer candidato da oposição vai ter dificuldades de se erguer”, diz Bruno Marques, gestor dos fundos multimercado da XP Gestão. “O mercado vai acabar caminhando para a expectativa de que, com a melhora dos dados econômicos, desemprego, queda da inflação, crescimento, ainda que pífio, um candidato alinhado à agenda de centro-direita vai ter mais espaço”.

“A percepção é de que vai se formando um cenário favorável para a eleição de um candidato de continuidade,”, diz Rodrigo Abreu, economista da Caixa Asset. Ele ainda destaca a evolução da economia, com volta de emprego, queda dos juros e da inflação. “É mais fácil vender reformas quando se mostra que elas trazem melhora para a vida das pessoas”.

Aragão, da Arko, avalia que o novo quadro político amplia as chances de o governo aprovar a reforma da Previdência. Caso não haja mais tempo para aprovar uma reforma mais consistente este ano, o analista considera que o governo ainda poderá tentar aprovar uma versão mais “desidratada”, com cerca de 60% dos cortes de gastos projetados inicialmente, ou até mesmo optar por aprovar mudanças tópicas, que não exigem alteração constitucional. Medidas menos ambiciosas teriam a vantagem de enfrentar menor resistência, podendo ser aprovadas até mesmo no começo de 2018.

Apesar do maior otimismo, os analistas ainda citam riscos que precisam ser monitorados com cuidado pelos investidores. No longo prazo, diz Abreu, da Caixa Asset, principalmente a trajetória do déficit fiscal é um limite importante para o entusiasmo do investidor. Mesmo na política, que vem sendo o principal fator recente de otimismo, Aragão lembra que o “risco Lula” diminuiu, mas essa incerteza pode demorar a ser desfeita. Ele acha muito difícil que saia uma decisão em segunda instância sobre o ex-presidente antes de 2018.

Outro risco monitorado é o de ocorrer uma fragmentação de forças políticas no campo favorável a reformas, o que, com ou sem Lula em 2018, tornaria o resultado da eleição incerto. “A ausência de Lula criaria mais nomes para disputarem as eleições, geraria uma fragmentação da centro-direita”, dizRafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria. “Fica a dúvida se a agenda que o governo Temer colocou em pauta irá se manter diante desse possível esfarelamento”.

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