Por Niclas Rolander.

Munida de US$ 22 milhões em novos recursos, a Soundtrack Your Brand, uma empresa sueca de streaming de muzak, ou música de elevador, está cortando seus laços musicais com a Spotify para buscar crescimento internacional.

A startup, que tem acordos de streaming de música de fundo para relojoarias TAG Heuer, da LVMH, e lanchonetes do McDonald’s, informou nesta sexta-feira que investidoras como a Balderton Capital e a Industrifonden financiarão o que o CEO e cofundador da empresa, Ola Sars, classifica como um “plano de expansão agressivo”. A estratégia inclui a formação de uma biblioteca de música própria para oferecer a hotéis e lojas.

“Este é o fim do primeiro capítulo e o começo de algo novo”, disse Sars, que ajudou a criar o serviço Beats Music, em entrevista na sede da companhia, em Estocolmo. “Nós provamos que o modelo funciona nos países nórdicos. Isso é suficiente para dar o próximo passo.”

A Soundtrack faz sua incursão nos mercados internacionais para atrair empresas de varejo com centenas ou até milhões de estabelecimentos para sua música baseada em nuvem para tentar alcançar a líder desse mercado, a Mood Media, que tem ações negociadas em Toronto. O Spotify, um dos primeiros investidores da Soundtrack, usou uma fórmula similar para afastar os consumidores das listas pirateadas e do streaming ilegal. A Soundtrack usou o catálogo do Spotify para seus primeiros 18 meses de operações, mas agora está formando uma biblioteca de música própria para buscar um caminho mais independente.

Embora a empresa, que no começo ostentava a marca “Spotify for Business”, ainda conte com o líder mundial de streaming de música como seu maior acionista externo, o Spotify não participou dessa rodada de financiamento. Após o novo financiamento, o Spotify manterá cerca de 15 por cento da Soundtrack. O fato de a Soundtrack ter sua própria biblioteca aumentará sua independência e permitirá que negocie suas próprias condições com os proprietários dos direitos autorais.

“Testamos isso com o Spotify e provamos que o modelo funciona”, disse Andreas Liffgarden, cofundador e presidente do conselho da Soundtrack e também ex-chefe mundial de desenvolvimento de negócios do Spotify. “Agora a adolescente cresceu e chegou a hora de ela sair de casa.”

Investidores anteriores, como as empresas Telia, Northzone e Creandum, também participaram da última rodada de financiamento.

Com foco exclusivo nas empresas, a Soundtrack não está sob a mesma pressão para conseguir um público massivo como empresas como Spotify e Apple, que dominam o streaming para consumidores com um total combinado de quase 60 milhões de clientes pagantes. Em sua Suécia de origem, a Soundtrack assinou acordos com cerca de 30 por cento dos 30.000 a 50.000 potenciais clientes que identificou, disse Sars. Desde o início do ano passado, sua base de usuários e suas vendas cresceram quase 400 por cento, disse ele.

Há menos estabelecimentos comerciais para música em comparação com os bilhões de consumidores globais que são alvo do Spotify e da Apple Music, mas as lojas pagam cerca de US$ 40 por mês, contra US$ 10 no caso dos ouvintes individuais.

Liffgarden disse que, com o novo financiamento, a empresa definiu um “claro caminho para a rentabilidade”, e esse caminho é “mais ousado e corajoso”.

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