Por Grant Smith.

Os preços despencaram, os estoques dispararam e as dúvidas sobre a efetividade da Opep cresceram, mas Wall Street não perdeu a fé na recuperação do petróleo.

O petróleo caiu para menos de US$ 50 o barril em Nova York na semana passada devido aos sinais de que os cortes de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não estão reduzindo o excedente global de forma suficientemente rápida e de que as exploradoras do xisto nos EUA estão prontas para preencher qualquer déficit. No entanto, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America e Citigroup afirmam estar confiantes de que os preços subirão no fim do ano.

Com um pouco mais de tempo, os inchados estoques de petróleo mundiais cairão e os cortes de produção da Opep e da Rússia surtirão efeito, enquanto o consumo de combustível continuará forte, preveem os bancos.

“A perspectiva não é menos otimista”, disse Seth Kleinman, chefe global de estratégia de energia do Citigroup, que prevê o barril de petróleo superando US$ 60 no fim do ano. “Reduzir os estoques de petróleo é um processo complicado, mas os cortes da Opep são reais, a demanda da Ásia é significativa e, em última análise, o mercado está ficando mais apertado.”

Há uma série de motivos para duvidar do argumento otimista.

Apesar da adesão incomumente forte da Opep às suas próprias metas, os estoques de petróleo dos EUA estão próximos a níveis históricos, a produção do país está no maior patamar em um ano e o número de sondas em operação praticamente dobrou de maio para cá. Os parceiros da Opep, como Rússia e Cazaquistão, ficaram para trás em relação ao cumprimento dos cortes prometidos e a produção da Arábia Saudita se recuperou no mês passado.

Contudo, a demanda por petróleo continua a caminho de superar a oferta no segundo trimestre e de começar a consumir os estoques globais, segundo o Goldman Sachs, que vê o West Texas Intermediate, referência dos EUA, superando US$ 57 o barril em três meses.

“O reequilíbrio do mercado de petróleo ainda está avançando”, disse Jeff Currie, chefe de pesquisa de commodities do Goldman Sachs em Nova York, em um relatório, em 14 de março. Em nota emitida dois dias antes, Currie disse que “o mercado precisa de um pouco de paciência” para que o efeito dos cortes da Opep seja sentido.

Os preços do petróleo dos EUA subirão para pelo menos US$ 64 o barril no terceiro trimestre quando o excedente começar a diminuir, disse Francisco Blanch, chefe de pesquisa de commodities do Bank of America, em relatório, em 10 de março.

Os quatro bancos confirmaram que mantêm suas projeções, apesar de os preços terem caído mais um pouco no início da semana. O argumento dos otimistas ganhou impulso na quarta-feira, quando dados da Administração de Informação de Energia dos EUA mostraram que os estoques de petróleo dos EUA caíram pela primeira vez em 10 semanas. A recuperação da exploração nos EUA irá desacelerar antes que a produção consiga compensar as reduções da Opep, segundo o Morgan Stanley, que prevê que o barril do Brent chegará a US$ 62,50 no fim do ano.

“O argumento a favor do reequilíbrio no resto do ano continua forte”, disse Martijn Rats, diretor-gerente do banco.

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