Todos os motivos para se preocupar com a economia global

Este artigo foi escrito por Michelle Jamrisko com a assistência de Finbarr Flynn e Zoe Schneeweiss. Exibido pela primeira vez no Terminal Bloomberg.

A economia global está desequilibrada em 2019, dando origem a temores de recessão e forçando os bancos centrais do mundo a considerar uma nova flexibilização política.

Tensões resultaram em repetidas previsões de rebaixamentos por governos e outras autoridades. A Organização Mundial do Comércio reduziu sua projeção comercial de 2019 para a mais fraca em três anos, em março. A OECD cortou sua previsão econômica e alertou para riscos de queda que poderiam significar um desfecho ainda pior.

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Englobando o comércio, ações, moedas e taxas de juros seguem algumas razões pelas quais a atual perspectiva econômica global tem preocupado analistas:

Comércio

As negociações comerciais entre EUA e China continuam, sem qualquer sinal claro de resolução. A economia chinesa tem sido difícil de interpretar, deslizando mais do que o esperado e, em seguida, melhorando de forma imprevisível. Isso alimenta um mal-estar mais amplo na demanda global, que surgiu na forma de fluxos comerciais dramaticamente mais lentos.

Embora dados trimestrais evidenciem uma queda assustadora no início de 2019, um painel atualizado da Bloomberg Economics sobre os dez indicadores importantes apontou uma fraqueza contínua. O sentimento das empresas alemãs mostrou um pouco de esperança em março, após seis quedas seguidas.

E a dor é sentida intensamente na Ásia, sede de algumas das economias mais exportadoras do mundo. Índices gestores de compras em todo o continente estão apenas começando a mostrar sinais de uma recuperação liderada pela China, após vários meses de amargura.

Incerteza política

Negociações comerciais e guerras tarifárias alimentaram o jogo de adivinhação sobre como a diplomacia e a política interferem nos fundamentos. Outros associados também são o Brexit, uma onda de eleições – algumas delas confusas, como na Tailândia – e a curva acentuada no ciclo da política monetária global. A incerteza quanto à política da China tem sido especialmente notável, à medida que os analistas tentam discernir como as autoridades administrarão esta desaceleração.

No Reino Unido, o Brexit se tornou um fardo duradouro, ainda dificultando gastos de capital e um crescimento econômico mais amplo, como mostra o economista Dan Hanson, da Bloomberg Economics em Londres. As Câmaras Britânicas de Comércio revelaram esta semana que as intenções de investimento estão no menor nível em oito anos, à medida que as empresas se recusam a se comprometer com projetos em um cenário tão incerto.

Condições financeiras

Os mercados financeiros viram alguns dos acontecimentos com bons olhos, porém ainda mostrando sinais de estresse.

Será um indicador para monitorar, mas por enquanto, o índice Bloomberg US Financial Conditions, que mede o nível geral de estresse financeiro nos mercados monetários, de títulos e de ações, está pelo menos mais atraente do que antes, após atingir em dezembro a maior baixa em dois anos e meio. Um valor positivo nessa medida indica condições financeiras acolhedoras, enquanto um valor negativo indica condições financeiras mais restritas em relação às normas pré-crise.

Força do dólar

Autoridades de mercados emergentes, em especial, estão sintonizadas a quaisquer sinais duráveis de que o dólar retornará à trajetória de fortalecimento que acabou adicionando bastante pressão em 2018. O dólar permanece em uma banda relativamente mais forte contra uma cesta das principais moedas, particularmente em comparação com sua posição há um ano.

Surpresas econômicas

Além destes dados sombrios, temos o fato de que analistas não têm acertado muitas previsões recentemente. Divulgações de resultados têm surpreendido negativamente com mais frequência, nos EUA, Europa e Ásia-Pacífico.

É ainda mais preocupante quando consideramos o histórico terrível de economistas ao prever recessões.

Baixa inflação

Desde que o diretor do Federal Reserve, Jerome Powell, a classificou como “um dos maiores desafios do nosso tempo”, uma inflação persistentemente baixa tem atraído cada vez mais atenção em todo o mundo. Apesar do apoio monetário sem precedentes, bancos centrais têm fracassado constantemente em suas tentativas de gerar crescimento sustentável dos preços.

Dívida

Embora as preocupações com dívida possam variar de acordo com a economia, um setor que recebe atenção extra ultimamente, inclusive da ex-diretora do Fed, Janet Yellen, é o mercado de empréstimos alavancados dos EUA. Analistas do UBS Group AG e da Deutsche Securities Inc. citaram o risco, e Taimur Baig, economista-chefe do DBS Bank Ltd. em Singapura, disse na semana passada que compartilha a preocupação de Yellen.

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